O superintendente de negócios da Caixa Econômica Federal Mounir Chaowiche confirmou ontem, durante reunião com o prefeito eleito de Londrina Nedson Micheleti (PT) a execução judicial da dívida da Cohab, que pode chegar a R$ 300 milhões. O processo de execução foi iniciado há duas semanas. Ele não revelou o valor exato da dívida por causa do sigilo bancário, mas adiantou que se refere à maioria dos 123 contratos da Cohab com a Caixa, inclusive os sub-rogados. ‘‘Na realidade, os recursos que a Cohab adquiriu são do FGTS e isso não nos permite esperar. Tivemos que executar’’, justificou.
Preocupado, Micheleti disse que a execução da dívida pode comprometer a negociação de recursos junto ao governo federal. ‘‘É um problema a mais e que nós teremos que buscar a solução. Essa execução compromete a Cohab e a política de ajuste de toda administração. Se não acelerarmos a negociação, todas as outras fontes de recursos ficarão inviabilizadas’’, desabafou.
Somente os contratos sub-rogados de 28 municípios da região, que a Cohab assumiu nos anos de 1990 e 1992, somam dívida superior a R$ 128 milhões. Considerando também os inadimplentes do município, estima-se que a dívida possa chegar a R$ 300 milhões. Chaowiche disse que apesar da execução em andamento, a Caixa continua disposta a negociar com a Cohab. O presidente da companhia Agnaldo Rosa admitiu que existem problemas na maioria dos 123 contratos. ‘‘São contratos de 25, 30 anos. Tudo isso na realidade é um lixo que precisa ser depurado e não é diferente do que está acontecendo com as Cohabs de todo o País, em que a dívida supera R$ 2 bilhões’’, afirmou .
Segundo o presidente da Cohab, os problemas financeiros da companhia iniciaram com os 32 contratos sub-rogados, assinados nos anos de 90 a 92, durante o segundo mandato do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido). Apesar do montante da dívida, Rosa acredita que a solução será os títulos do Fundo de Compensação Sobre a Variação Salarial (FCVS), cerca de R$ 140 milhões, que a Cohab deverá obter com o programa de quitação de financiamentos, do governo federal.
‘‘A cada quitação, a Cohab pede a habilitação e depende da Caixa e do conselho curador do fundo de garantia homologarem esses títulos que servirão de crédito para pagar as dívidas da Cohab’’, explicou. A estimativa é que até o final do ano, a Cohab acumule cerca de R$ 100 milhões em títulos. O saldo de novembro está em R$ 80 milhões.
O prefeito Jorge Scaff (PSB) disse que não conseguiu falar com o presidente da Cohab Agnaldo Rosa e por isso não tinha conhecimento do problema. ‘‘Eu fiquei de verificar, mas foi um dia tumultuado e não consegui falar com o Agnaldo. Eu não tenho a mínima idéia do valor da dívida’’.

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