Dívida da Cohab cai para R$ 172 milhões
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), disse ontem que a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) obteve uma redução de 48% na dívida que possui junto à Caixa Econômica Federal (CEF). A negociação foi realizada em Brasília pela direção da Cohab e Jucemar Imperatore, representante do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), instituição administrada pela Caixa e de onde saíram os recursos.
Com a negociação, o débito foi reduzido de R$ 330 milhões para R$ 172 milhões incluindo R$ 50 milhões já vencidos e em fase de execução judicial. A negociação foi excelente e praticamente resolvemos a inadimplência da Cohab, afirmou Nedson. O prefeito já havia entrado no circuito das negociações da companhia com a CEF antes mesmo de tomar posse, em dezembro, quando foi a Brasília para participar das primeiras reuniões sobre o caso. A primeira rodada oficial de discussão aconteceu logo após a posse.
No acordo que deve ser homologado em março a Cohab conseguiu o abatimento de R$ 120 milhões do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), mesmo artifício usado pelo Banco Central (BC) no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). Outros R$ 38 milhões foram abatidos com o recálculo da dívida total da Cohab, incluindo os contratos sub-rogados 28 conjuntos habitacionais construídos pela Cohab de Londrina em outros municípios. A dívida dos sub-rogados (R$ 60 milhões) caiu pela metade. Para honrar o acordo, a prefeitura terá que pagar mensalmente R$ 700 mil à Caixa.
Segundo Nedson, o acordo permite à prefeitura retomar os projetos de habitação financiados com recursos do FGTS. Não temos mais dívida e somos considerados adimplentes. Com isso a Cohab pode pleitear recursos e fazer novos empreendimentos com o Fundo de Garantia, resumiu. Segundo ele, o município já possui terrenos para novos projetos de moradia popular.
Nedson disse ainda que haverá um enxugamento de 50% nas despesas da Cohab que hoje chegam a R$ 320 mil mensais. Outra meta é reduzir a inadimplência, que abrange 50% ou 7,5 mil mutuários, chegando a R$ 18 milhões. Nos sub-rogados, esse índice é de 90%.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, afirmou que a renegociação com os mutuários em atraso vai incluir novação de contrato, incorporação do débito e o uso do saldo devedor. Para a renegociação, será preciso quitar à vista 10% da dívida em atraso, mas o setor social do órgão ainda irá analisar a situação de quem não puder cumprir essa exigência. Após o período de acordo, Afonseca afirma que a companhia irá promover execuções judiciais. Temos que reduzir a inadimplência e acabar com a história de que, se sobrar dinheiro paga-se a Cohab, comentou.
Nedson e Afonseca disseram ainda que a renegociação com a Caixa vai permitir a retomada das atividades do Projeto Poupalar, um sistema de poupança para o financiamento de moradias, que está com as obras atrasadas. O programa tem cerca de 14 mil inscritos, porém mais de 50% estão com as parcelas em atraso.
O atual empreendimento (Condomínio Aurora Tropical, em andamento no Jardim Tóquio, zona oeste de Londrina) deveria estar pronto em agosto do ano passado, mas a previsão é que será concluído em março. Em janeiro demonstramos que queríamos fazer uma negociação definitiva com a Caixa e estou disposto a pagar esse preço, comentou Nedson.


