Divergências na transição estadual
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Para a frente
Incidentes como os que marcaram o finalzinho da gestão de Cida Borghetti - que tentou com relativo sucesso acentuar o traço de primeira governadora (é verdade que Emília Belinati exerceu tal papel provisoriamente), com firmeza nas posições adotadas - são metabolizáveis nas tramas e divergências da política e em nada ameaçam o brilho da posse do seu sucessor.
Há pelo menos algo de assemelhado com o havido com Ney Braga, a maior liderança que tivemos, embora o que melhor pensou o Paraná tenha sido Munhoz da Rocha, e a eleição de Ratinho. E que este, como Ney na vinculação com Jânio Quadros, jamais titubeou no apoio a Bolsonaro, havendo muito a considerar nessa contribuição em volume de votos.
E a identificação programática está presente na chamada ruptura com a velha política (algo que só testando dá para apurar), o culto à simplicidade, rejeição às mordomias, empenho na redução do Estado e, sobretudo, fazer mais com menos.
Essa relação com a presidência é relevante, todavia não se pode esperar tratamento especial, privilegiado, num país com suas dimensões continentais e afogado numa crise fiscal de traço abismal. Há sinalizações boas, resta que haja programas no Paraná com inserção em dimensões brasileiras e cuja viabilidade não seja questionável.
Precisamos pensar em nós, nas nossas causas, mas na perspectiva de que tudo o que se fizer aqui, na infraestrutura (portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, dentre elas o retorno à cabotagem) ou em qualquer outro setor, pois em alguns como no agronegócio damos lições mundiais, todo o nosso esforço regional é sincrônico ao nacional.
Uma necessidade é inadiável: recuperar a capacidade de mediar e intervir nos acontecimentos pelo restabelecimento do aparato do planejamento para que ele guarde uma função pública de Estado, indispensável às democracias, e pode ser exercida, como sempre foi, em parceria com a iniciativa privada. Essa, mais as universidades, nunca estiveram ausentes e isso desde os anos cincoenta quando o coronel Alípio Ayres de Carvalho, como pioneiro maior, deu o rumo do prever para prover, iniciando-o com o sistema de transporte coletivo de Curitiba e a montagem do Pladep, Plano de Desenvolvimento do Paraná, na transição dos governos Adolpho de Oliveira Franco-Moysés Lupion.
Pente fino
Bolsonaro já indicou que fará um pente fino nos atos finais da gestão Michel Temer, o que Ratinho Junior prometeu também em relação ao governo Cida Borghetti. É claro que não entram aí as melhoras havidas no Hospítal do Trabalhador, mas as promoções na PM e o contrato de dragagem portuária estão pautados. É evidente também que haverá esforço para negar que a situação financeira esteja nos trinques. Basta ver o que o Rafael Greca, com acentuado exagero, fala da herança recebida de Gustavo Fruet para se ter como normal esse estilo de confrontação. Uma das primeiras vítimas em sucessões é a verdade.
Presidentes julgados
Já temos os múltiplos casos de Lula (condenado no tríplex do Guarujá e com ações em trâmite como o do sítio, o da sede do Instituto, o dos caças e do quadrilhão do PT que pega a sucessora Dilma) e agora haverá - e isso na primeira instância - os cinco inquéritos contra o ex-presidente Michel Temer. Dessas, as mais avançadas são a dos portos em troca de propinas, a do quadrilhão do MDB como líder de organização criminosa que levou R$ 580 milhões no favorecimento de empresas em negócios com Petrobras, Furnas e Caixa, e aquela terrível da mala da JBS com propina de R$ 500 mil, primeira parcela de R$ 38 milhões. Tudo ficará antes na dependência de despachos de relatores no STF, o que deve ocorrer ainda em fevereiro.
Sem clareza
Chegamos à posse do novo presidente e a encrenca do ex-assessor de Flavio Bolsonaro, o já célebre Fabrício Queiroz, apanhado nos fluxos do Coaf com movimentação de R$ 1,2 milhão, persiste pelas explicações insuficientes e ainda o não comparecimento às audiências no MP, Ministério Público, ante o qual teria apresentado atestado médico de doença grave. Numa entrevista ao SBT afirmou padecer de câncer intestinal.
Folclore
No plantão do Canal 12, no qual eu era diretor de jornalismo, ouço uma bronca do setor comercial sobre a apresentadora do Cimo Notícias que tinha usado a expressão semafôro em lugar de semáforo, e isso num horário tido como nobre. Trocadilhei dizendo que se tratava de abominável desáforo. A ficha levou meia hora para cair, mas rendeu risadas.


