Divergências mancham Câmara de Vereadores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A queda-de-braço na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu entre a bancada governista e os demais vereadores está longe de chegar a uma solução democrática. A disputa, acirrada em dezembro, com a eleição da Mesa Diretora, ganhou novo e tumultuado capítulo no Carnaval.
Sem a presença do presidente do Legislativo, Adilson Rabelo (PSB), em recuperação após ser vítima de atentado, 12 vereadores situacionistas autoconvocaram e realizaram uma sessão extraordinária na sexta-feira para eleger, novamente, as comissões permanentes. Eles são maioria na Casa, que tem 21 parlamentares.
Onze minutos depois de abrir o encontro, o presidente em exercício, Ney Patrício (sem partido), encerrou os trabalhos sob a justificativa que a ordem do dia já havia sido cumprida. Em 23 de fevereiro, Rabelo nomeou os cargos após governistas abandonaram o plenário por discordarem da forma de votação (o pleito foi por nominata, sem inscrição de chapa).
A decisão de Patrício resultou numa troca de ofensas, só encerrada com interferência de quase 30 policiais militares, que retiraram o sistema de som a pedido do presidente em exercício. Tudo sob as vaias de uma platéia de mais de 100 pessoas, que lotaram o plenário. Apesar da medida, o grupo dos 12 ''elegeu'' os ocupantes das dez comissões técnicas e a comissão mista.
Agora, o impasse está na assessoria jurídica da Câmara e pode ser levado ao Judiciário, como aconteceu em relação à eleição da Mesa Diretora, em dezembro, quando Rabelo venceu a chapa de Hermógenes de Oliveira (PMDB) por oito votos a dois. Onze votos dados ao peemedebista foram anulados porque estavam marcados. A posse da Mesa Diretora está sub judice.
Ontem, o quadro clínico de Adilson Rabelo era estável. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Costa Cavalcanti, ele respirava espontaneamente. O vereador levou dois tiros na cabeça disparados pelo passageiro de uma moto, no último dia 24. A polícia está investigando, mas diz que não tem pistas dos autores do crime, suspeito de ter fundo político, passional, vingança ou ligação com narcotráfico.


