Divergências dominam o PMDB
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 1998
Agência Folha 
O PMDB paraibano tentou, mas não conseguiu evitar o racha para a disputa da candidatura do partido para o governo do Estado da Paraíba. Para tentar se reeleger, o governador José Maranhão terá de derrotar o senador Ronaldo Cunha Lima na convenção do partido, que ocorrerá em junho.
Cunha Lima, que anunciou a sua decisão de concorrer na última sexta-feira, rompeu com Maranhão no mês passado. O senador havia prometido apoio ao governador no ano passado, durante a campanha pela reeleição no Congresso. No entanto, vinha afirmando recentemente que estava sendo hostilizado pelo governo paraibano nos últimos três anos.
Vou derrotar Maranhão durante a convenção peemedebista e confio na fiscalização da Justiça Eleitoral para evitar o uso da máquina administrativa para influenciar os 430 convencionais que vão escolher o candidato. O racha no PMDB paraibano começou durante a festa de aniversário de Cunha Lima, no dia 21 de março, em um clube de Campina Grande (130 km de João Pessoa).
O senador não gostou da recepção (com fogos de artifício) preparada para o governador na sua festa e chamou os assessores de Maranhão de bajuladores. O governador foi obrigado a se retirar da festa, em meio a empurrões e bate-boca entre seus aliados e os aliados de Cunha Lima. Depois dos desentendimentos, o clima ficou tenso entre os dois grupos, que passaram a não mais se entender.
Maranhão se sentiu ofendido e disse que só se recomporia com Cunha Lima se ele fizesse uma retratação pública com pedido de desculpas. Na Assembléia Legislativa, 7 dos 20 deputados peemedebistas optaram por Cunha Lima. Os outros 13 preferiram ficar com Maranhão. Houve tentativas de pacificação, que não surtiram efeito.
Os aliados de Cunha Lima denunciaram que Maranhão mandou suspender obras do governo em suas áreas de atuação política. Na sexta-feira, Maranhão respondeu aos ataques feitos por Cunha Lima. Maranhão disse que foi traído pelo senador e que o PMDB recebeu um tiro pelas costas.
São Paulo O pré-candidato do PDT ao governo de São Paulo, Francisco Rossi, iniciou sua campanha na prática - oficialmente, só em julho - na quinta-feira passada, com uma viagem de trem de 17 horas pelo interior paulista. Acompanhado de assessores e do presidente estadual do partido, o deputado federal Fernando Zuppo, Rossi fez escalas em 19 dos 30 municípios no trajeto da capital até Presidente Prudente.
A viagem - que teve como justificativa o interesse do candidato sobre a malha ferroviária estadual - faz parte da estratégia de comer pelas beiradas que Rossi diz ter adotado na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Embora na maioria das vezes tenha sido recebido nas estações por grupos de cerca de 20 pessoas - enquanto seus principais adversários inauguram obras e se encontram com políticos em eventos que reúnem multidões -, o pedetista avalia estar no caminho certo.


