O governo foi beneficiado ontem, no esforço de apressar a votação da reforma administrativa, pelas divergências políticas entre os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Epitácio Cafeteira (PPB-MA). Para não favorecer ao grupo aliado a Sarney, que apoiou totalmente a proposta, Cafeteira, líder do PPB, desistiu de apresentar a emenda que criaria um sobreteto para os parlamentares. Com isso, deputados e senadores poderiam receber salário acima do teto fixado pela reforma, de R$ 12.720,00.
O grupo de Sarney também se beneficiaria da polêmica provocada pela emenda, ao transcrever no jornal da família do ex-presidente críticas feitas em outros órgãos da imprensa contra Cafeteira. Foi o que ocorreu na semana passada, como demonstra o recorte do jornal exibido pelo líder. ‘‘Eles, se quiserem apresentar, que apresentem’’, sugeriu Cafeteira. ‘‘A medida beneficiaria a outros e não a mim.’’
A emenda do líder recebeu 35 assinaturas de apoio, oito além do necessário. Foi endossada por todos os senadores ‘‘sarneysistas’’, como Gilvam Rocha (PMDB-AP), Bello Parga (PFL-MA) e Édison Lobão (PFL-MA). O apoio ao sobreteto para os parlamentares também partiu dos líderes do PMDB, Jáder Barbalho (PA), do PFL, Hugo Napoleão (PI) e até pelo senador do PDT, Abdias Nascimento (RJ). Cafeteira vai disputar o governo do Maranhão com a atual governadora, Roseane Sarney (PFL), segundo ele, ‘‘para ganhar’’.
Ele disse que, com o sobreteto, esperava excluir os obstáculos que desestimularão, por exemplo, os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), candidatos a cargos eletivos. Eles não poderão acumular nenhum outro vencimento se se aposentarem recebendo o teto máximo fixado pela reforma administrativa.
O líder do governo, Élcio Alvares (PFL-ES), garantiu que a reforma será votada no prazo previsto. Hoje, o presidente do Senado, Antônio Carlos Margalhães (PFL-BA), deve colocar em plenário o recurso excluindo do texto aprovado na Câmara a aposentadoria especial para os magistrados. ACM disse que não acredita mais em pressões para nortear os votos dos senadores, como ocorreu na votação da reforma da Previdência. ‘‘Ficou provado que tal procedimento não surte efeito na Casa’’, justificou.
De segunda a sexta-feira da próxima semana, os senadores poderão emendar o texto da reforma administrativa, o que obrigará o retorno à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Álvares previu que a comissão se manifestará em 48 horas. Ele acredita que, em 10 de fevereiro, a matéria será votada em primeiro turno. A votação final ocorrerá no fim desse mês.

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