Divergência nacional ameaça PMDB
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sábado, 06 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaGaroto problemaIncompatibilidade de grupos do PMDB com o ex-governador Orestes Quércia já causou várias baixas ao partidoO PMDB está com 14 deputados federais a menos, desde as urnas de 1994, quando o partido elegeu uma bancada de 108 parlamentares. Perdeu o equivalente à bancada eleita por São Paulo, e o processo não pára aí. Além das divergências nacionais em torno da conveniência política do apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, o PMDB enfrenta problemas locais que ameaçam sumir com a bancada federal do Mato Grosso do Sul, rachar a bancada paraibana e reduzir os representantes paulistas à metade.
No Mato Grosso do Sul, o governador Wilson Martins está em guerra com a bancada federal. Ele não deve concorrer à reeleição por conta da idade, 80 anos, e fala em lançar novos candidatos para disputar a eleição de deputado. O resultado é a revolta geral dos quatro deputados do PMDB que ameaçam migrar em conjunto para o PSDB.
Os tucanos também podem lucrar com outra briga regional do PMDB. Candidatíssimo à reeleição, o governador da Paraíba, José Maranhão, é outro que pode trocar de legenda. Com boa posição nas pesquisas eleitorais, Maranhão está exigindo a garantia de que não terá concorrente na convenção que apontará o candidato do partido ao governo do Estado no ano que vem.
Dispostos a segurá-lo, os dirigentes do PMDB organizaram um jantar para o governador na quarta-feira. Objetivo: pacificar a relação do governador com seu antecessor, senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB). O senador reagiu às críticas permanentes de Maranhão com a notícia de que também poderia disputar o governo.
Em São Paulo, o problema chama-se Orestes Quércia. A incompatibilidade com o ex-governador já custou a perda do deputado Alberto Goldman para o PSDB que deverá abrigar também Aloysio Nunes Ferreira. Também estão prestes a deixar o partido o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, e seu suplente na Câmara, Pedro Yves, ambos aguardados pelo PFL. A bancada de 14 deputados deve ficar reduzida à metade até 3 de outubro, quando se encerra o prazo de filiação partidária para os candidatos às eleições do ano que vem.
Temos aí uma versão mais diet do PMDB, mas nem de longe somos um partido em extinção, reage o líder peemedebista no Senado, Jáder Barbalho (PA). Ele admite a dificuldade de compor um discurso nacional, já que o partido é uma federação de líderes regionais. Mas os dirigentes do PMDB trabalham para transformar este problema em trunfo eleitoral no ano que vem. Os chefes do partido espalhados por todos os Estados vão disputar o governo local, o que deverá engordar as bancadas. Jáder é um deles: concorre ao governo do Pará.
As próximas eleições serão decididas nos Estados, onde o partido é forte, prevê Sarney. Quem saiu do partido levou a mala vazia, porque ainda somos o primeiro na preferência do eleitor, com 20% nas pesquisas, acrescentou o presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE). O Nilo Coelho (ex-governador da Bahia) só saiu do PMDB para ser escorraçado pelos tucanos, salientou Paes.
Jáder Barbalho lembra que o PMDB fez a maior bancada do Pará, apesar do apoio ao candidato derrotado ao governo, Jarbas Passarinho, e mesmo estando contra a candidatura Fernando Henrique. Ele aposta que, com sua candidatura, será bem mais fácil repetir a façanha em 1998.
O PMDB também espera crescer no Paraná, com a candidatura do senador Roberto Requião, e em Pernambuco, onde também não apresentou candidato próprio ao governo, na última disputa, e agora concorrerá com Jarbas Vasconcelos, numa aliança com o PFL.
No Ceará do governador tucano Tasso Jereissati, o partido vai jogar com a força do prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães, para melhorar sua performance. A contabilidade dos cardeais registra vitória certa em Goiás, onde o governador Maguito Vilela disputará a reeleição na confortável posição de primeiro colocado em desempenho no ranking dos governadores.
Também desfrutam de posição confortável nas pesquisas os governadores peemedebistas do Rio Grande do Sul, Antonio Britto; do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves Filho; e de Rondônia, Waldir Raupp. Vamos eleger uns 15 governadores e, com eles, boas bancadas, julgam Sarney e Jáder, ao lembrarem que o prefeito de Contagem, Newton Cardoso, é um nome fortíssimo na corrida rumo ao Palácio da Liberdade. Apesar do escândalo dos títulos públicos, Sarney diz que está firme a candidatura do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira.


