Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está muito preocupado com a possibilidade de a divergência entre os ministros Antônio Palocci (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) fugir totalmente do controle e chegar a um ponto de vida ou morte. Lula confidenciou a petistas com quem conversou nos últimos dias que ''seria o pior dos mundos'' ter de arbitrar o duelo entre os dois. Avalia que o embate foi escancarado num momento dificílimo, quando Palocci está fragilizado e o governo, acuado pela oposição, sob o cerco de três comissões parlamentares de inquérito. ''Precisamos ter muito cuidado para não pôr tudo a perder'', afirmou o presidente. ''Enfraquecer ainda mais o Palocci é um suicídio.''
A preocupação de Lula foi agravada na sexta-feira, dia 11, com o fracasso da tentativa governista de barrar a prorrogação da CPI dos Correios. Tanto esta como a dos Bingos - ambas com alto potencial de estrago - avançarão no calendário eleitoral de 2006 e só vão terminar em abril, justamente quando o PT estará tentando costurar as alianças que devem sustentar a candidatura de Lula à reeleição.
Palocci disse a Lula que só virou a bola da vez da crise porque a oposição quer atingir a economia, hoje a única vitrine do governo, e, com isso, sepultar o plano petista de um segundo mandato para o presidente. Foi por isso que o ministro da Fazenda ficou extremamente irritado com as estocadas de Dilma. Em entrevista à Agência Estado, publicada na quarta-feira, ela chamou de ''rudimentar'' o ajuste fiscal de longo prazo, proposto pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Foi mais longe: disse que um país do tamanho do Brasil precisa diminuir os juros ''se quiser sair do atoleiro''.
''Essas críticas dentro do governo são inaceitáveis'', queixou-se Palocci a Lula. O ministro avisou que não pretende ficar ''apanhando'' em praça pública e administrando crise. (AE)

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