O Ministério da Justiça concedeu indenização ao médico Abelardo de Araújo Moreira, 73 anos, de Arapongas, pelos danos causados à sua família durante a repressão política na década de 1970. O pedido foi deferido e encaminhado à assessoria jurídica do órgão no dia 14 de abril para que seja estipulado o valor do benefício. Moreira, que foi prefeito de Arapongas entre 1986 e 1988 pelo PMDB, contou que foi detido, preso e processado durante a Operação Marumbi, porque suspeitavam que ele poderia estar ligado à subversão. ''Naquele tempo, bastava se manisfestar à favor das liberdades, seja de imprensa ou de idéias. Não era preciso ter ligações com partidos para ser considerado subversivo'', apontou.
O fato prejudicou a carreira do médico, que foi impedido de clinicar pelo Inamps (atual INSS). ''Eles queriam que a pessoa apresentasse atestado de antecedentes políticos. Precisei passar uma temporada vivendo no exterior com a família'', relatou Moreira. Durante os anos de 1974 e 75, ele a mulher Nitis Jacon (hoje diretora da Fundação Teatro Guaíra) e três filhos viveram em Londres, onde não pôde exercer a medicina. Nitis também sofreu perseguição política. Peças de teatro que ela dirigiu foram censuradas.
Ao voltar de Londres, Moreira foi detido pelo Exército e levado para Curitiba no porta-malas de um carro. Ficou preso durante um mês e meio. Ele não apontou valores para a indenização. ''É incomensurável e difícil de determinar porque eu era médico autônomo'', explicou.
Apesar de ter sido prefeito, Moreira não se dedicou mais à atividade política como candidato, mas citou que continua trabalhando nos bastidores, atualmente ligado ao PSDB. Sobre a decisão da Justiça, ele disse que recebeu a notícia como um reconhecimento de que houve exagero na repressão. ''Não é uma coisa individual, isso alcançou muita gente e o sentimento é de todos aqueles que foram perseguidos'', acrescentou.
Moreira criticou a ditadura militar, classificando-a como um ''grande retrocesso na vida do país''. ''A cultura nacional foi esmagada'', exemplificou. Moreira continua atuando como médico em Arapongas.

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