São Paulo - Com crescimento anual de dois dígitos, o mercado brasileiro de sucos prontos pode estar às portas de seu terceiro ciclo histórico, caso se confirmem os rumores de que a americana Coca-Cola ficará com o controle da brasileira Sucos Mais. Depois da fase de experimentação de 1999, inaugurada com a chegada da Del Valle, e do crescimento das vendas desde 2001, a tônica do setor, onde fica cada vez mais acirrada a competição, deve ser a distribuição.
Embora os sucos prontos estejam presentes em mais de 11 milhões de lares brasileiros, o País ainda amarga um baixo consumo per capita da bebida, de cerca de 2 litros por ano. Na Alemanha, por exemplo, este número alcança 47 litros, enquanto nos Estados Unidos é de 30 litros; na Espanha, 16 litros; e, no México, 9.
Para elevar o consumo, porém, as indústrias têm pela frente o obstáculo da renda dos brasileiros, já que os sucos prontos são itens de maior valor agregado, que competem com versões mais baratas dos refrigerantes, as versões em pó ou mesmo as feitas pelo próprio consumidor, a partir de frutas in natura. Os especialistas não se cansam de dizer que, com uma logística eficiente, é possível elevar a rentabilidade de qualquer empresa de bebidas por duas frentes: ganho em escala, uma vez que se abre a oportunidade de colocar os produtos em mais pontos-de-venda; e redução de custos.
Daí a apreensão do setor com a possibilidade de a vice-líder do mercado passar para as mãos da Coca-Cola. É que, assim como a AmBev, a Coca-Cola do Brasil é reconhecida pelos consultores de logística como detentora de um dos sistemas de distribuição mais eficazes do País, com alcance de 1 milhão de pontos-de-venda. Para efeitos de comparação, a líder em vendas de sucos prontos no mercado doméstico, a mexicana Del Valle, chega a apenas 300 mil.
Diante da complexidade e do custo de se construir uma rede de distribuição de grande porte, para as que ficam há a alternativa da atuação regional, dada a aproximação maior com os consumidores e a área de atuação mais restrita. Surge ainda a possibilidade de parcerias, como a da Kaiser, que usa o sistema de distribuição da Coca-Cola, ou fusões.
A Del Valle do Brasil anunciou que uma de suas metas para 2005 é fortalecer a distribuição, que hoje é terceirizada. O desafio, além de alcançar 450 mil pontos-de-venda em dois anos, será transferir a experiência da matriz mexicana, onde 70% da distribuição se dá de forma direta, para a unidade brasileira.
O segmento de não-alcoólicos movimentou, em 2004, segundo a ACNielsen, 211,4 milhões de litros, 15% mais que em 2003. A expansão na receita foi de 21%, atingindo R$ 707,12 milhões.

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