Edinelson Alves
Especial para a Folha
Para a ex-secretária de Administração Federal e Reforma do Estado Cláudia Costin, dois males emperram a mudança do serviço público no Brasil: o clientelismo e o corporativismo. Falando ontem para centenas de pessoas no seminário ‘‘Mudança do Setor Público’’, no auditório do Village, em Cambé, ela exortou prefeitos e vereadores a combater o clientelismo e o corporativismo como prioridade básica para a transformação da máquina administrativa.
Cláudia, que fez ontem a primeira palestra depois que deixou o governo, disse que é hora da sociedade discutir qual modelo de Estado quer adotar. ‘‘A grande distorção é que o Estado brasileiro nasceu para ser um empregador e não um prestador de serviço. O desafio é justamente mudar esse quadro. Por mais que se aprovam leis, a dificuldade maior é a mudança de mentalidade. Por isso que a reforma do Estado na Inglaterra levou 15 anos e ainda continua em curso’’.
Entre as distorções que forçam a mudança do Estado, Cláudia citou o rombo da Previdência que é da ordem de R$ 34 bilhões/ano, sendo essa a diferença entre o compromisso de pagamento e o que é arrecadado. Um outro flagelo nas contas públicas é a relação entre arrecadação e o gasto com pessoal.
A ex-secretária de Administração citou o caso do Espírito Santo como o mais flagrante do País, quando em janeiro se gastava 97% da arrecadação com pessoal. ‘‘Quer dizer, o contribuinte daquele Estado não tem a menor expectativa de receber algum tipo de benefício através de obras ou melhorias, já que a folha de pagamento fica com toda arrecadação. Esse é o exemplo típico do modelo de Estado empregador’’, observou.
Para a ex-secretária Cláudia Costin, o Estado brasileiro enfrenta quatro tipos de crises: fiscal, previdenciária, transição da ditadura para a democracia e por último de modelo do Estado, já que as administrações atuam hoje como geradoras de emprego e não como prestadoras de serviços de qualidade.

mockup