Curitiba - A tese da candidatura própria do PMDB ganhou força ontem com o lançamento do nome do governador Roberto Requião como candidato a presidente da República. Requião foi anunciado candidato pelo senador Pedro Simon (PMDB/RS), que defendeu a proposta como forma do partido deixar o papel de coadjuvante nas eleições de 2010.
''Então a candidatura do Requião não é uma candidatura anti-Lula, é uma candidatura do PMDB que pode, e vai para o segundo turno e talvez seja a salvação do Lula para não perder para o (Jose) Serra (PSDB)'', declarou. ''No segundo turno, só o Requião bate o Serra'', completou. Participantes do encontro assinaram uma moção de apoio à candidatura de Requião ao governo federal.
Em discurso apaixonado para uma plateia de representantes do PMDB de 14 estados, Simon declarou que ''acha que essa vez é do PMDB''. ''Temos que tomar uma decisão que a partir de amanhã o nosso candidato vai percorrer o Brasil inteiro'', defendeu. Segundo Simon, Requião seria um candidato nem contra nem a favor de Lula, e sim pós-Lula. Não se trata, explicou, de discutir o governo Lula, mas sim propor um programa de governo para sucedê-lo. ''O tema de uma eleição não é o passado, é o futuro'', disse o advogado e professor Harvard Roberto Mangabeira Unger.
''Requião é amigo do Lula, e ele é pela terceira vez governador, já foi prefeito de Curitiba, foi um senador excepcional, é um dos grandes nomes da história do Brasil, se você analisar, não tem ninguém com quem se compare'', afirmou Simon. O senador defendeu que Requião percorra os estados brasileiros para conquistar o apoio dos diretórios estaduais e municipais para a candidatura própria.
Antes do início do encontro, Requião falou já como candidato. ''Vou repetir o Lula, acho que está muito confortável este processo, porque não temos antagonismo pessoal com os candidatos. O Serra é meu amigo desde menino, política universitária, política estudantil. Acho a Dilma (Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil) uma pessoa extraordinária, o problema todo é o que vai ser acrescentado neste início de mudança que foi o governo do Lula, é isto que estamos discutindo aqui. E daí nós vamos nos adequar a isto, ou com uma coligação ou com uma candidatura''.
Simon voltou a negar que o acordo anunciado entre PMDB e PT tenha legitimidade. ''Teve uma reunião que foi feita com os dirigentes do PMDB com o Lula e os dirigentes do PT, mas foi uma reunião feita de comando a comando. Não houve nem uma reunião da Executiva do PMDB, muito menos do Diretório. Quem vai decidir o destino do PMDB é a convenção do partido'', disse.
Apesar da indicação de Requião, o nome do governador não era unanimidade entre os presentes. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, disse que o paranaense é um ''grande nome'', mas que o partido tem outros quadros. ''Todos nós estamos conscientes, inclusive o próprio Requião, de que primeiro temos que firmar a tese, segundo apresentar um programa ao partido, para a partir daí surgir o nome que vai defender este programa e esta bandeira''.
O ex-governador de São Paulo e presidente do PMDB-SP, Orestes Quercia, que defende uma aliança do partido com o PSDB, disse que Requião seria um bom nome para liderar uma candidatura peemedebista. ''Esta reunião é muito importante para dar uma orientação ao partido, porque uma área, líderes no Congresso, decidiu apressar um apoio à candidata ao governo, que é a dona Dilma. Isto sem ter uma proposta. Foi um equívoco, até porque sou da Executiva Nacional e ninguém me consultou. Não houve reunião da executiva nacional, do conselho do partido'', disse.
''Só posso dizer que é preciso mandar um aviso para a direção nacional do partido: que aqui se consolida uma pré-candidatura'', disse Requião ao aceitar a candidatura. Para ele é preciso uma posição clara contra o ''capital vadio que pune o povo brasileiro''. E que é preciso ter compromisso com a nação, com as pessoas. ''O mercado só tem compromisso com o lucro'', criticou.

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