Curitiba – A ala dissidente do PMDB no Paraná, que declara apoio ao governo Beto Richa (PSDB) e que têm sofrido críticas pesadas de colegas da legenda confirmou ontem o nome do deputado federal Sérgio Souza para concorrer à presidência do diretório estadual, batendo chapa com o senador Roberto Requião e com o também deputado federal João Arruda, nas eleições que estão marcadas para o próximo dia 31.
Souza é afilhado político do ex-governador Orlando Pessuti, que na última sexta-feira foi expulso do partido pela Comissão de Ética, por infringir resolução que proibia filiados ao PMDB a ocuparem cargos no governo Beto Richa. Pessuti ocupa atualmente um cargo de diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul nomeado pelo governador. Ontem o deputado foi até a Assembleia Legislativa se reunir com deputados que apoiam a sua candidatura, entre eles os deputados estaduais peemedebistas Luiz Claudio Romanelli, Alexandre Curi, Artagão Jr. e Jonas Guimarães.
O parlamentar federal criticou o que ele chamou que perseguição a colegas e ressaltou que isso não é bom para o partido, em clara menção à expulsão de Pessuti. "Expulsão é uma injustiça tremenda. O Pessuti tem 50 anos de PMDB e não pode ser julgado por um fato momentâneo. A participação de membros do partido no governo Richa não representa um desrespeito à convenção estadual", afirmou. Ele também disse que a intenção é dar uma nova opção aos filiados da legenda.
O líder do governo na AL, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), admite que será difícil conquistar uma vitória nas eleições previstas para o final do mês, mas destacou que a chapa "Paraná para Todos" é uma forma de resistência dentro do partido. "Não se tem a pretensão de poder se ter uma vitória na convenção. Poder ser que ela venha em decorrência do trabalho que for feito, mas indiscutivelmente ela é uma forma de resistência", ressaltou.
Requião Filho (PMDB) disse que a pretensão de Souza é legítima, mesmo tendo uma bandeira diferente de boa parte do restante dos filiados; mas não perdeu a oportunidade de cutucar seus desafetos. "O deputado está se colocando com uma opinião divergente da maioria do partido, isso é legítimo, é democracia interna. Infelizmente, a chapa do Sérgio Souza será composta por pessoas já em compostagem política, então não vejo grande ameaça", destacou.

FUNDOS DE PENSÃO


Relator da CPI dos Fundos de Pensão, Souza visitou ontem o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, para solicitar o compartilhamento de informações que possam auxiliar os trabalhos da investigação da Câmara. O objetivo é ter acesso a dados sobre investigados da Operação Lava Jato que também atuaram de alguma maneira em investimentos feitos pelos fundos. Entre estes nomes estão o doleiro Alberto Youssef; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o operador Milton Pascowicth; e o empresário da Engevix, Gerson de Mello Almada.
Instalada há dois meses, a CPI investiga movimentações dos quatro maiores fundos de pensão de empresas estatais do Brasil, do período de 2003 a 2015. Juntos, o Fundo de Pensão da Caixa Econômica (Funcef), a Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis) têm um patrimônio estimado em R$ 400 bilhões. "O Moro foi muito solícito e se colocou à disposição. Ainda vamos aprovar alguns requerimentos e ele disse que deve nos atender. Além de pedir acesso a informações, também informamos que, no momento oportuno, vamos pedir a liberação para que Vaccari e Youssef possam ser ouvidos em Brasília, em uma sessão da CPI", explicou Sérgio Souza.

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