'Dissidentes' lançam chapa para enfrentar Requião
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segunda-feira, 05 de outubro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba A ala dissidente do PMDB no Paraná, que declara apoio ao governo Beto Richa (PSDB) e que têm sofrido críticas pesadas de colegas da legenda confirmou ontem o nome do deputado federal Sérgio Souza para concorrer à presidência do diretório estadual, batendo chapa com o senador Roberto Requião e com o também deputado federal João Arruda, nas eleições que estão marcadas para o próximo dia 31.
Souza é afilhado político do ex-governador Orlando Pessuti, que na última sexta-feira foi expulso do partido pela Comissão de Ética, por infringir resolução que proibia filiados ao PMDB a ocuparem cargos no governo Beto Richa. Pessuti ocupa atualmente um cargo de diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul nomeado pelo governador. Ontem o deputado foi até a Assembleia Legislativa se reunir com deputados que apoiam a sua candidatura, entre eles os deputados estaduais peemedebistas Luiz Claudio Romanelli, Alexandre Curi, Artagão Jr. e Jonas Guimarães.
O parlamentar federal criticou o que ele chamou que perseguição a colegas e ressaltou que isso não é bom para o partido, em clara menção à expulsão de Pessuti. "Expulsão é uma injustiça tremenda. O Pessuti tem 50 anos de PMDB e não pode ser julgado por um fato momentâneo. A participação de membros do partido no governo Richa não representa um desrespeito à convenção estadual", afirmou. Ele também disse que a intenção é dar uma nova opção aos filiados da legenda.
O líder do governo na AL, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), admite que será difícil conquistar uma vitória nas eleições previstas para o final do mês, mas destacou que a chapa "Paraná para Todos" é uma forma de resistência dentro do partido. "Não se tem a pretensão de poder se ter uma vitória na convenção. Poder ser que ela venha em decorrência do trabalho que for feito, mas indiscutivelmente ela é uma forma de resistência", ressaltou.
Requião Filho (PMDB) disse que a pretensão de Souza é legítima, mesmo tendo uma bandeira diferente de boa parte do restante dos filiados; mas não perdeu a oportunidade de cutucar seus desafetos. "O deputado está se colocando com uma opinião divergente da maioria do partido, isso é legítimo, é democracia interna. Infelizmente, a chapa do Sérgio Souza será composta por pessoas já em compostagem política, então não vejo grande ameaça", destacou.
Relator da CPI dos Fundos de Pensão, Souza visitou ontem o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, para solicitar o compartilhamento de informações que possam auxiliar os trabalhos da investigação da Câmara. O objetivo é ter acesso a dados sobre investigados da Operação Lava Jato que também atuaram de alguma maneira em investimentos feitos pelos fundos. Entre estes nomes estão o doleiro Alberto Youssef; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o operador Milton Pascowicth; e o empresário da Engevix, Gerson de Mello Almada.
Instalada há dois meses, a CPI investiga movimentações dos quatro maiores fundos de pensão de empresas estatais do Brasil, do período de 2003 a 2015. Juntos, o Fundo de Pensão da Caixa Econômica (Funcef), a Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis) têm um patrimônio estimado em R$ 400 bilhões. "O Moro foi muito solícito e se colocou à disposição. Ainda vamos aprovar alguns requerimentos e ele disse que deve nos atender. Além de pedir acesso a informações, também informamos que, no momento oportuno, vamos pedir a liberação para que Vaccari e Youssef possam ser ouvidos em Brasília, em uma sessão da CPI", explicou Sérgio Souza.


