Quatro dos nove membros da Diretoria Administrativa do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), anunciaram ontem o rompimento com o grupo liderado pelo presidente da entidade, Marcelo Urbaneja. A decisão teria sido comunicada à presidência do sindicato em uma reunião realizada na noite de quinta-feira.
''Rompemos porque não concordamos com a maneira que vem sendo conduzida a política sindical. O sindicato não pode fazer confusão entre política partidária e política sindical'', justificou o diretor de Assuntos Jurídicos do Sindserv, Júlio Ribeiro de Castro. ''Temos visto somente ataques à administração, ataques pessoais, ajuda para grupos de pessoas que em nada contribuem para a causa do servidor. Hoje a Câmara não nos atende mais, a administração não sentou para negociar. Mais de um ano se passou da nossa posse e não houve nenhum avanço para o servidor'', analisou. Também fazem parte do movimento dissidente a secretária-geral, Davina de Jesus Soares; a diretora de Política Sindical, Luzinete Vilela Rossi; o diretor de Política Cultural, Luiz Paixão, e um dos três diretores do Conselho Financeiro, Adalberto Koscosqui.
Durante entrevista coletiva, eles também apresentaram notas fiscais de um posto de combustíveis que teria fornecido 20 litros de gasolina para o irmão do prefeito Nedson Micheleti (PT), Nilton Micheleti, e 20 litros de álcool para o presidente do Partido Verde, Ricardo Maruchi. As notas foram emitidas em nome do sindidato. Segundo Castro, a ex-assessora financeira da campanha de Nedson, Soraya Garcia, também teria recebido ajuda do Sindserv. ''Até onde a gente sabe, a ajuda foi estrutural. Ela estava até o mês passado dentro do sindicato, utilizando computadores, terminais telefônicos, fax, para abastecer de informações e atacar a administração'', relatou Castro.
Os membros do sindicato também apresentaram parte da contabilidade da entidade que mostra a tomada de um empréstimo de R$ 19,5 mil, de uma pessoa física. ''Todo mês sai um cheque do sindicato para pagamento de empréstimos. Sabemos que o valor é de R$ 19,5 mil. Não foi deliberado pela diretoria esse empréstimo. Deveria ter sido feito em uma instituição financeira porém foi feito com pessoas terceiras.''
Segundo Koscosqui, Urbaneja foi comunicado das suspeitas de irregularidades. ''Ao invés de me auxiliar como presidente e procurar observar onde estavam ocorrendo as irregularidades, ele veio com ameaças. Falou que me tiraria do sindicato, que era para eu ficar de boca fechada'', afirmou.
Koscosqui disse que apesar de fazer parte do Conselho Fiscal, não tem acesso a documentação contábil do sindicato. ''Só chega o valor do cheque e para onde foi. Tanto é que esses cheques que estão saindo, as notas de combustível que abasteceram o carro do irmão do prefeito, só obtivemos agora.'' A secretária-geral disse que o grupo deverá pedir a convocação de uma assembléia para encaminhar a destituição da atual diretoria.
Apesar do clima hostil entre os diretores verificado ontem à tarde, membros dos dois grupos foram vistos na quinta-feira à noite conversando em um restaurante. Na sexta-feira de manhã, o clima no sindicato foi considerado normal pelos funcionários. Integrantes dos dois grupos almoçaram juntos no sindicato.

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