Dissidência do PMDB adia convenção
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sábado, 18 de janeiro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba O grupo dissidente do PMDB, que defende o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aprovou ontem um documento reafirmando as decisões de apoiar o governo Lula e disputar a presidência do Senado. O encontro foi em João Pessoa (PB). O bloco trabalha pela eleição do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) como presidente do Senado, além de um projeto mais amplo de mudar o comando nacional da legenda.
Os dissidentes não concordam com a forma como o atual presidente, deputado Michel Temer (SP), vem conduzindo o partido. Temer tem conversado com líderes do PSDB com o objetivo de montar um bloco de oposição a Lula no Congresso.
O apoio a Sarney bate de frente com a cúpula nacional, que lançou candidato o senador Renan Calheiros o líder do partido no Senado. Mas a pressão do governo federal funciona para eleger Sarney, nome que tem a simpatia de Lula.
Segundo o governador do Paraná Roberto Requião (PMDB), um dos líderes do grupo, o encontro serviu para reforçar a decisão de recuperar o PMDB, ''afastando-o da trilha fisiológica em que ele se perdeu nos últimos anos''. ''Na verdade, o que estamos fazendo é refundar o PMDB, para firmá-lo como partido programático, de clara definição ideológica e forte cor nacionalista'', disse Requião.
Os dissidentes decidiram ontem adiar a convocação da convenção extraordinária do partido para 16 de fevereiro. A convenção, que vai deliberar sobre a direção da legenda, havia sido marcada inicialmente para o dia 25 deste mês. Para a ala dissidente, uma possível vitória de Sarney pode significar um golpe nas intenções da cúpula do partido de manter-se na direção.
O documento divulgado ontem, chamado Carta de João Pessoa, foi assinado por presidentes de 10 unidades regionais e representantes de 14 regionais do PMDB. De forma geral, o grupo pró-Sarney fez uma proposta conciliadora, reafirmando a luta pela unidade do partido em torno do governo petista. O grupo alega que a preferência pelo ex-presidente não representa ''desapreço'' a Renan Calheiros. Os dissidentes expressam também apoio à candidatura do senador Pedro Simon (RS) à liderança do partido.
Sarney afirmou, no final do encontro, que o grande mérito do movimento foi ''ter tirado o partido da letargia e aberto o debate''. ''Com isso, teremos condições de fazer o projeto de restauração do PMDB, que lamentavelmente tem estado fora das grandes decisões'', completou.
Participaram do encontro, além de Sarney e Requião, Pedro Simon, os senadores eleitos Francisco de Assis Souza e José Maranhão, os senadores Valmir Amaral e Maguito Vilela, Orestes Quércia, que dá as cartas no PMDB de São Paulo, e o presidente do PMDB paranaense, deputado Gustavo Fruet.
No encontro de João Pessoa, primeiro ato público da campanha de Sarney pela presidência do Senado, o senador conquistou a adesão de dois eleitores que, até então, apoiavam o concorrente ao cargo, o senador Renan Calheiros (AL): Pedro Simon (RS) e Francisco de Moraes Souza, o Mão Santa. O grupo de Sarney conseguiu ainda o apoio de dez presidentes de diretórios estaduais do PMDB à realização de uma convenção extraordinária do partido dia 16 de fevereiro. Era necessário o apoio de nove diretórios.


