Dissenso em alta
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
Dissenso em alta
Atribui-se aos posicionamentos de Bolsonaro a circunstância de ser visto como foco principal de um jantar sobre a América Latina em Davos no Fórum Econômico Mundial a ter lugar a semana que vem. É que ao contrário do lulopetismo, que dava mais relevância aos encontros de Porto Alegre, anverso do jogo capitalista, com o Fórum Social, a linha do novo presidente é de aberta contestação de consensos como se viu ainda agora com o decreto das armas e outros como as relações multilaterais e a extensão das políticas de inclusão já manifesta na questão dos índios e quilombolas.
Tudo o que era normativo e erigido ao longo da experiência democrática mais recente e visto quase como unanimidade é posto sob questionamento e isso na pregação de toda campanha eleitoral. Uma espécie de aturdimento provocado por essa linha de questionamento parece ter criado um hiato no pensamento e na reflexão política. É que o consenso parecia dispensar a hipótese da contestação, e quando ela veio fluiu e venceu a eleição.
O ordenamento, um tanto acomodado pela passagem do tempo, estava treinado em matéria de convívio político e tinha resposta para tudo. Daí a perplexidade de agora com a dificuldade de exercer o papel de oposição que lhe foi delegado no pleito.
Ratinho firme
Ratinho Junior revelou linha de independência ao defender que a reforma previdenciária de Jair Bolsonaro deve abranger todo o mundo, remover nichos de privilégios, e incluir os militares. Mostrou-se inclusive seguro em teoria política ao conceituar o "Estado necessário", que decorre daquela visão essencialista voltada para suas funções básicas na educação, saúde e segurança. Passa pelo enxugamento da máquina, que parece desprezar avanços da tecnologia inserida nas decisões da administração. Argumenta que reduziu de 28 para 15 secretarias e que o Estado continua prestando serviço.
Também não entende como esgotado o modelo social democrata, aquele do Welphare State, o bem-estar: o poder público necessita manter viés social forte, mas com menor interferência na vida do cidadão.
Na entrevista à imprensa o governador expôs a tese de fazer do Paraná núcleo relevante de logística na América Latina, como a ferrovia biooceânica, que liga os portos de Paranaguá ao de Antofogasta no Chile. Na eleição para governador quem defendeu essa ideia foi José Carlos Martinez e seguido por Jaime Lerner já no comando da gestão estadual.
Moro, um filtro
Pelos depoimentos que se seguiram ao decreto das armas deu para perceber que boa parte das cautelas adotadas foram aplicadas na prática pelo ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro. O fato é que os armamentistas queriam mais, não apenas os daqui como também os do exterior, que acharam o modelo limitado. Como as ações da Taurus caíram na Bolsa deu para captar a reação do mercado. Há quem pretenda, em posição oposta, ir ao Judiciário para ver a compatibilidade do decreto com normas do Estatuto de Desarmamento.
Pendular
Caiu de novo em decisório do conselheiro relator do Tribunal de Contas Ivan Bonilha a licitação do transporte coletivo de Londrina. Provavelmente a prefeitura de Londrina e a CMTU recorram, mas a urgência do tempo conspira, já que os contratos das empresas terminariam no sábado, 19. Como no caso de Curitiba, tudo persiste em clima de indefinição.
Avulso
Ricardo Barros, como postulante avulso à presidência da Câmara Federal, só se animou à empreitada quando percebeu que a articulação oposicionista tocada por seu correligionário Arthur Lira (PP-AL) caminhava nos últimos dias para a extinção. Vale-se do enorme trânsito que tem em decorrência do papel que exerceu em todos governos de Fernando Henrique Cardoso até chegar a ministro da Saúde de Michel Temer. Lira reagiu, mas isso não conteve Ricardo Barros, que mantém o corpo a corpo e já teria conversado com a quase totalidade dos parlamentares.
Pela causa
Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, está engajado na luta contra a votação secreta no Senado (decidida por Dias Toffoli, presidente do STF) e que deve beneficiar Renan Calheiros. Pelas redes sociais, Dallagnol afirma que mais de meio milhão de pessoas estão pedindo o voto aberto.
Folclore
O senador Renan Calheiros chama Deltan de "possuído", não subestimando a pregação do procurador da República e caricaturando o seu estilo fundamentalista.



