O PT corre o risco de ‘‘demonstrar que não está à altura’’ da missão política que os eleitores estão lhe confiando se o partido privilegiar disputas internas. A avaliação é de Tarso Genro, um dos coordenadores da campanha derrotada à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ‘‘Acredito que vamos arrefecer as nossas divergências internas para nos concentrar em um projeto alternativo para o país contra o neoliberalismo’’, afirma o ex-prefeito de Porto Alegre. Considerado um dos principais teóricos do PT, ele acredita que o novo quadro político brasileiro, gerado pelas eleições, forçará o presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘a se apoiar em negociações ainda mais fisiológicas do que antes’’. Genro, 51, acha que FHC ‘‘perde força política e reduz a sua capacidade de manobra sobre as bancada estaduais’’, que exercia por meio dos governadores. O presidente, segundo o petista, terá que se apoiar mais nas oligarquias do Norte e do Nordeste. ‘‘A natureza própria do (senador) Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) vai se evidenciar no governo de uma maneira mais intensa’’, prevê Genro. A seguir, trechos da entrevista concedida na sexta-feira por telefone, de Barcelona (Espanha), onde fez palestras sobre as eleições:

mockup