Disputas internas expõem racha do PT
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sábado, 23 de abril de 2005
Catia Seabra<br>Folhapress 
São Paulo - Um ano antes da eleição, o PT começa a expor suas fissuras ao reproduzir, nos Estados, a briga pelo controle do partido.
O chamado campo majoritário e a esquerda do partido, seguindo orientações de seus líderes nacionais, disputarão a presidência dos diretórios estaduais, em meio à já acalorada discussão sobre candidatos a governador.
Em São Paulo, a campanha promete extrapolar os limites do Estado, invadindo o cenário nacional. Secretário de Transportes do Governo Marta Suplicy e integrante do grupo Luta de Massa, Jilmar Tatto concorrerá contra o atual presidente do partido, Paulo Frateschi, com um discurso carregado de ataques ao governo e ao campo majoritário, que, hoje, comanda o partido. O PT não pode ser capacho, do governo, afirma.
Renovado, diz, o PT tem de estimular a ousadia no governo. Além da falta de coragem, o campo majoritário estaria contaminando o governo com suas disputas internas. Segundo ele, são mesquinharias que acabam abalando a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Um exemplo é a vitória de Severino Cavalcanti (PP-PE) no embate pela presidência da Câmara: Mercadante foi contra a reeleição de João Paulo porque seria um pretenso candidato ao governo do Estado. Agora, João Paulo bate em Romero Jucá [ministro da Previdência] por ser um aliado de Mercadante, criticou Jilmar, numa referência ao líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha.
Os dois disputam com Marta a preferência do partido para concorrer ao governo de São Paulo no ano que vem. Embora Jilmar seja um dos colaboradores de Marta no Instituto São Paulo, a ex-prefeita declara voto a Frateschi.
Segundo Marta, Jilmar Tatto é um ótimo quadro, fez um grande trabalho em seu governo, especialmente na implantação do bilhete único. Mas no que diz respeito ao diretório estadual, apóio a reeleição do companheiro Paulo Frateschi, que julgo ser a pessoa mais adequada para unificar o partido nos próximos desafios. Procurados, nem Mercadante, nem João Paulo, quiseram comentar as declarações de Jilmar.
Efeito dominó - No Ceará, a disputa promete ser tensa após uma fratura no campo majoritário. Candidato ao governo do estado em 2002, José Airton Cirilo rompeu com o atual presidente do partido, José Nobre Guimarães. Disposto a lançar um candidato contra Guimarães - que é irmão do presidente nacional do PT, José Genoino - Cirilo negocia também uma aliança com a esquerda do partido.
No que pese sermos uma força política no Estado, ficamos sem espaço. Guimarães concentrou os cargos: BNB, Dnocs, Ibama e Incra. Além disso, conduziu o comitê eleitoral no ano passado segundo seus interesses, beneficiando suas prefeituras, queixa-se.
Em Minas, a esquerda do PT também estimula dissidências no campo majoritário. Dois deputados estaduais, com o pé fora da corrente Unidade na Luta, foram convidados a disputar a presidência do partido com o apoio da esquerda. Mas com uma condição, diz o deputado Gilmar Machado: Não poderão apoiar Genoino no plano nacional.
A esquerda do PT enfrentará o poder do campo majoritário também no Pará. Lá, a senadora Ana Júlia deverá enfrentar o candidato do líder do PT na Câmara, Paulo Rocha, caso as correntes de esquerda se unam. O nome do candidato vai depender do arco de alianças, diz ela.
As tendências se confrontarão nos Estados em que o partido tem presença, como Pernambuco, Bahia e Paraná. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, é o campo majoritário que tentará estremecer a hegemonia da esquerda.
Com a disputa nacional, temos de ter candidato próprio em Santa Catarina, justifica a senadora Ideli Salvati (SC), reproduzindo a conclusão de uma reunião com Genoino no dia 16 de abril.
Exceção - O Rio pode ser exceção. No Estado, a esquerda propõe apoio ao candidato do campo majoritário para a presidência do partido, desde que a corrente se comprometa com a candidatura de Vladimir Palmeira ao Palácio Guanabara em 2006. Não abrimos mão de candidatura própria. As alianças ficam para o segundo turno, diz o deputado Chico Alencar.


