Brasília - A disputa política entre PT e PSDB inviabilizou ontem a votação do relatório parcial da CPI dos Correios sobre a movimentação financeira do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. O documento, que pede o indiciamento do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e de Valério, não pode ser encaminhado ao Ministério Público enquanto não for aprovado.
Elaborado pelo sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), o relatório foi considerado tendencioso pelos petistas por não ter citado irregularidades no financiamento de campanhas tucanas. Se o texto não for modificado, os parlamentares do PT trabalham com três possibilidades: não votar, apresentar um relatório alternativo ou propor emendas.
O PSDB está isolado nesse episódio. O PFL, o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), e o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), acham que deve ser incluído no parecer o depoimento do tesoureiro Cláudio Mourão, que admitiu ter havido caixa dois na campanha à reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas, em 1998.
''Esse modelito já existiu antes. Temos que fazer menção pelo menos aos operadores, sem fazer associação com parlamentares'', afirmou Delcídio, tentando uma saída negociada. ''Não pode colocar só o que interessa a uma das partes'', disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

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