Disputa PT-PMDB paralisa votação na Assembléia
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O racha entre PT e PMDB paralisou ontem as votações da Assembléia Legislativa. Depois de duas tentativas de colocar em votação quatro vetos apostos pelo governador Roberto Requião (PMDB) a projetos de autoria dos deputados estaduais, o presidente da Assembléia Hermas Brandão (PSDB) atendeu um pedido das lideranças partidárias para que se suspendesse a pauta de votações até que a paz voltasse a reinar na bancada governista. Deputados do PT e do PMDB entraram em rota de colisão devido a uma disputa de cargos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que será nomeada na segunda-feira que vem.
Ontem, deputados dos dois partidos tentavam costurar um acordo que solucionasse o impasse causado pelas declarações do líder do PMDB Antonio Anibelli, que queria que o PT indicasse o atual presidente da CCJ Hermes da Fonseca para coordenar os trabalhos da comissão por mais dois anos. Caso o PT não indicasse Fonseca, o PMDB ameaçava lançar um candidato avulso para disputar a presidência da CCJ, quebrando a tradição da Casa que sempre deu ao partido com a maior bancada eleita o direito de escolher seu presidente.
Segundo Brandão, o impasse está prejudicando os trabalhos da Casa, que desde o dia 15 de fevereiro não votou nenhum projeto de lei. ''Precisamos montar logo as comissões porque os projetos só podem ser votados depois de passarem pela CCJ para que a constitucionalidade das propostas seja analisada. Não quero jogar a culpa em nenhum dos dois partidos, mas está faltando articulação política para contornar essa situação'', disse Brandão.
Na sessão de ontem os líderes do PMDB e do PT esboçaram uma solução, que deve ser apresentada na próxima segunda-feira. Fonseca permaneceria na CCJ, conforme queria o PMDB, mas André Vargas (PT) seria escolhido para presidir a Comissão de Orçamento, outra comissão de destaque na Casa e que pela tradição teria a presidência de um peemedebista. Além disso, Luciana Rafagnin (PT) seria indicada para a presidência da Comissão de Agricultura.
Outro foco de incêndio nas relações PT-PMDB também foi contornado ontem com a suspensão da votação dos vetos de Requião. O líder do governo, Natálio Stica (PT), ameaçou entregar o cargo após saber que membros da bancada governista estavam articulando para derrubar o veto aposto por Requião a um projeto de Nereu Moura (PMDB) sem consultá-lo. O projeto, que prevê a criação da região metropolitana de Cascavel, deve voltar à pauta da casa na semana que vem.


