Brasília - A eleição para o próximo líder do PT na Câmara dos Deputados tem gerado desentendimento entre duas maiores correntes internas da legenda. À frente da liderança hoje, a Mensagem ao Partido (MP), quer permanecer no comando da bancada, o que irritou integrantes da Construindo um Novo Brasil (CBN), tendência majoritária da sigla e que acusa o outro grupo de descumprir acordo de revezamento.

Membro da MP, o atual líder do PT, Afonso Florense (BA), afirma que o movimento que aglutina cinco correntes internas da legenda, o Muda PT, do qual faz parte, terá candidato. O grupo defende antecipar mudanças no comando do PT ou precipitar uma saída em massa da legenda. Um dos nomes cotados é o do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), integrante da Mensagem.

Florense argumenta que sua corrente conseguiu um bom resultado à frente da liderança e que é preciso consolidar esse trabalho. "Conseguimos manter a unidade da bancada e melhoramos a atuação nas matérias e no plenário."


Membros da CBN, mesma corrente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizem, porém, que Florense está descumprindo acordo firmado no início da atual legislatura, em 2015, e que previa alternância na liderança entre a corrente e a Mensagem ao Partido durante todos os quatro anos do mandato. "O grupo do Afonso está dando sinal de ruptura desse acordo", criticou o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP).

Florense, por sua vez, sustenta que o acordo inicial foi apenas para os dois primeiros anos da legislatura. "Pelo que estou entendendo, a CNB está querendo reeditar o acordo", disse. Para ele, as correntes internas terão de negociar os espaços. Além da liderança do partido, o PT, dono da segunda maior bancada da Câmara, poderá ter direito a um cargo da Mesa Diretora da Casa, caso esteja na chapa que vencer a disputa.

Nome da CNB para a liderança do PT em 2017, o deputado Carlos Zarattini (SP) rechaça negociação em torno da liderança. Segundo ele, o entendimento da corrente é de que o acordo foi para os quatro anos da legislatura.

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