Disputa pelos indecisos
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sábado, 27 de outubro de 2018
Guilherme Marconi/Reportagem Local 

"Não são os candidatos que eu esperava para o segundo turno. Tudo que vejo e pesquiso não me atrai para definir o voto. Ainda estou vendo aquele que para mim será o menos pior." Esta foi a resposta do atendente Marcio Lopes, 25 anos, na véspera da eleição mais polarizada desde a redemocratização para presidente. O País decide neste segundo turno entre o deputado federal e capitão da reserva Jair Bolsonaro (PSL) e o professor universitário e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).
Segundo a última pesquisa Datafolha divulgada na quinta (25), o percentual de eleitores ques estão indecisos é de 6%, já os que devem optar por brancos ou nulos somam 8%. Se considerado os votos válidos, o levantamento mostrou Bolsonaro com 56% e Haddad com 44%. Já a pesquisa Ibope divulgada terça-feira (23) trouxe o capitão da reserva com 57% dos votos válidos e 43% para o petista. Na estimulada, 10% dos entrevistados estavam entre nulos e brancos e 3% não responderam.
A FOLHA foi às ruas para ouvir eleitores que ainda estão ponderando para quem depositar o voto e os que decidiram votar em branco, nulo ou simplesmente não irão exercer esse direito. A dúvida do atendente Marcio Lopes está no discurso de Bolsonaro, que classifica de extremo: "Pode fazer mal às pessoas", mas por outro lado, vê na permanencia do PT no poder uma "janela aberta" para a corrupção. "Estou indeciso entre votar em alguém ou anular o voto". No primeiro turno o percentual de votos brancos para presidente foi considerado baixo em Londrina, 2,57% (7.942), e nulos 5,13% (15.890). No Paraná, brancos foram 2,51%, e nulos, 4,66%.
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DESCRENÇA
Aos 19 anos, sem emprego com carteira assinada, João Vinicius Soares está descrente com o futuro do País. "Os dois vão passar a mão na nossa cara e não vão fazer nada de diferente." Questionado sobre abrir mão do direito de escolher um dos candidatos, o jovem minimizou o resultado dessa escolha e apontou as fragilidades dos concorrente, segundo ele. "Esse negócio do Bolsonaro liberar a arma não me agrada. Como vai ficar o Brasil?" questionou. Já com o candidato petista o temor está na corrupção. "Eles já estavam no poder e roubaram e devem continuar com as mesmas práticas."
Alheia às discussões nas redes sociais, a cozinheira Ana Paula Silva Passos, 33 anos, disse que tampouco procurou os programas dos candidatos no horário eleitoral no rádio e na televisão. "No primeiro turno eu já anulei todos os votos. Mas pode ser que até o dia eu decida (entre Haddad e Bolsonaro)."
Mais enfático, Rui Sales, 70 anos, decidiu se abster neste segundo turno. Apesar do voto não ser mais obrigatório nesta faixa etária, o aposentado votou no primeiro turno no Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no Conjunto União da Vitória (zona sul), o local de votação que registrou uma das maiores abstenções em Londrina no dia 7 de outubro, com 24,57%, quase um quarto dos eleitores aptos a votar. "Para abrir a boca e prometer todos eles promotem, mas cumprir que é bom ninguém faz. Sempre votei e nunca vi mudar nada, só melhora para quem está lá no poder", disse. No primeiro turno em Londrina a a abstenção ficou em 16,83% ou 62.642 eleitores que deixaram de comparecer às urnas .
CONVICTOS
Entre o eleitorado convicto, está a empresária Santa Rosalina, que optou pelo voto em Jair Bolsonaro. " O PT não dá mais, precisamos das reformas, de progresso. O Bolsonaro vem romper com o que está posto. Eu prefiro arriscar." Já a atleta Karina Tatcheva, 21 anos, apostará na continuidade dos programas sociais dos governos do PT ao depositar o voto em Haddad. "Várias pessoas saíram da pobreza nos governos do PT. Independente que digam: 'roubou isso, roubou aquilo', mas outros partidos também roubaram. Temos mais acesso hoje graças àquele governo."
MOBILIZAÇÕES
De olho nos indecisos, os simpatizantes de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad em Londrina prometem mobilizações neste sábado (27). uma carreata a favor do candidato do PSL sairá da rua de trás do Boulevard Shopping (Rua Martiniano do Valle Filho), a partir das 14h30, com destino à Avenida Saul Elkind, mas passando pelo centro da cidade. Já os apoiadores do petista farão panfletagem no Calçadão, a partir das 9h.
AVALIAÇÃO
O cientista político Mário Lepri pontua que as estatísticas mostram que dificilmente o voto dos indecisos é capaz de decidir uma eleição em segundo turno, porque tende a migrar de forma proporcional aos dois candidatos: "A não ser que haja um acontecimento muito forte". Ainda assim, ele defende que num processo democrático "é sempre interessante que se faça uma opção". "O sujeito que vai anular ou votar em branco está dizendo que não quer nenhum dos dois, e o voto não é validado. Agora, o indeciso vai fazer uma decisão, ele só não está confiante, está estudando, e muitas vezes acaba optando na hora. Minha orientação é a seguinte: escolha aquele candidato que na sua avaliação é capaz de ter um bom desempenho naquilo que você considera ideal. Por exemplo: qual deles vai melhorar a economia, e assim por diante", afirmou. (Colaborou Diego Prazeres/Editor de Política)


