Curitiba - A definição das candidaturas no Paraná, nesta semana, abriu uma nova fase da campanha eleitoral no estado. Os três principais candidatos ao Palácio Iguaçu – Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) já têm definidos seus vices, suas chapas para o Senado e os partidos que estarão na coligação, o que permite traçar a estratégia em busca de conseguir votos em um cenário que ainda está aberto, segundo cientistas políticos ouvidos pela FOLHA.

A grande movimentação pouco antes do fim do prazo para as convenções partidárias foi a adesão de Greca como vice na chapa de Sandro Alex, apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD). O ex-prefeito de Curitiba aparecia empatado tecnicamente em segundo lugar nas principais pesquisas, atrás de Sergio Moro – o que em tese pode representar mais votos para Alex.

Outro fator que anima a campanha do governista é o número de eleitores que não consolidaram sua escolha para o governo – segundo a pesquisa Genial/Quaest* divulgada no dia 27 de julho, 64% ainda podem mudar o voto para governador e apenas 35% já definiram seu candidato. No cenário sem Greca, Moro tinha 40% das intenções de voto, Requião Filho apareceu com 24% e Sandro Alex com 9%.

“O dado que talvez mais anime a campanha governista é o de conhecimento”, avalia a cientista política Karolina Roeder, professora na Uninter e pesquisadora da UFPR. “O levantamento Quaest de conhecimento, potencial de voto e rejeição mostra que Sandro Alex ainda é desconhecido por 68% do eleitorado em julho, contra apenas 13% de ‘não conhece’ no caso de Moro e 19% no caso de Requião Filho. Dos três principais concorrentes, Sandro Alex é o único cujo teto eleitoral está, na prática, quase todo em aberto.”

Segundo o cientista político e professor universitário Doacir Quadros, estudos indicam que os eleitores têm deixado para definir seus candidatos no período próximo à votação. “Em média 60% do eleitorado ainda não definiu seu voto. Esse cenário favorece todos os candidatos para fortalecer as suas campanhas, em especial na internet”, diz. “A campanha eleitoral ainda está em aberto, o eleitor deve começar a preparar a sua definição somente quando começar o horário gratuito na televisão e no rádio. Isso faz com que o eleitor saiba que terá que definir o seu voto até o dia da eleição.”

FATOR GRECA

A avaliação é que Greca poderá levar a um crescimento da candidatura de Sando Alex. “Antes da composição, Greca e Sandro Alex apareciam em disputa apertada entre si nas pesquisas e Greca tinha ‘lembrança forte em Curitiba’. Juntar os dois converte um problema – dois nomes do campo governista disputando o mesmo eleitorado – numa soma”, diz Karolina Roeder. “A lógica é de complementaridade geográfica e de imagem: Sandro Alex carrega o capital de Ratinho Junior e a gestão estadual, Greca carrega três mandatos como prefeito da capital. A entrada também trouxe o MDB para a coligação, o que dá musculatura de estrutura partidária, tempo de rádio e TV e capilaridade municipal.”

A pesquisadora cita que, pela Genial/Quaest*, Greca e Requião ficariam empatados tecnicamente em um eventual segundo turno (33% a 32%) e que o pedetista venceria Sandro Alex (37% a 20%). “Isso sugere que parte do eleitorado de Greca, não migraria automaticamente para o campo governista, iria para a oposição de esquerda. A resposta a isso já está em curso, que é justamente incorporar Greca à chapa como vice, em vez de deixá-lo como candidato solto disputando o mesmo espaço.”

Para Karolina Roeder, Moro entra na campanha como favorito, mas a mais recente pesquisa do instituto IRG** mostra uma queda para 37,4%. “A vantagem de Moro é real, e ele começa a campanha como favorito. Mas chamar isso de corrida decidida seria prematuro. A distância é grande o suficiente para absorver boa parte dos desgastes normais de campanha, sem que isso ameace sua liderança no curto prazo. Ao mesmo tempo, não é tão grande a ponto de ser tratada como blindada. O movimento mais recente é de leve erosão, não de estabilidade absoluta, o que é motivo suficiente para não descartar mudanças ao longo dos dois meses de campanha que virão.”

Uma coligação ampla (Sandro Alex também é apoiado por Federação União Progressista, Federação PSDB-Cidadania, Republicanos e Avante) também aumenta os recursos de campanha, lembra Doacir Quadros. “Greca permite um aumento da força política da aliança, fortalecendo a coligação e aumentando os recursos de campanha. Pode também permitir uma diminuição da rejeição a Sandro Alex. Atrai por exemplo os votos dos curitibanos, onde Greca tem um peso eleitoral em virtude de ter sido prefeito em três oportunidades. É um candidato que tem popularidade em Curitiba e agrega à campanha.”

SENADO: DISPUTA ACIRRADA

A desistência de Alvaro Dias (MDB) muda de forma significativa a disputa pelas duas vagas no Senado. Na pesquisa Quaest ele aparecia isolado na liderança em dois cenários, com 20%. Sem ele, havia empate técnico entre Alexandre Curi (Republicanos), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT).

“Isso deixa um vácuo de liderança real, não um vácuo de demanda eleitoral, o eleitor que votaria em Dias não desapareceu, ele está disponível para realocação. Os nomes mais citados na sequência têm perfis muito diferentes entre si, então a ‘sobra’ de Alvaro Dias pode se fragmentar em direções opostas, parte para o campo governista, parte para o campo bolsonarista puro e uma fração para Dallagnol como outsider anticorrupção”, afirma Karolina Roeder.

A pesquisadora lembra que as pesquisas com duas vagas majoritárias tendem a ter taxas de erro maiores. “A decisão do eleitor amadurece mais tarde e é mais sensível. O campo está estruturalmente mais aberto agora do que estava com Alvaro Dias na frente, e a variável decisiva provavelmente vai ser qual nome consegue emergir como escolha única e consolidada dentro do grupo governista, e se o campo de oposição a Ratinho consegue crescer aproveitando a fragmentação do bloco governista nessa vaga.”

Para Doacir Quadros, os candidatos apoiados por Moro (Barros e Dallagnol) tendem a largar em vantagem. “Sergio Moro tem um capital político eleitoral estabelecido no estado. Cabe aos adversários tentar desconstruir a imagem dos candidatos. Gleisi Hoffmann tem experiência em Brasília e Alexandre Curi tem reconhecimento político no estado, eles também possuem certa vantagem”, afirma. “Para o Senado, os eleitores também têm deixado para definir o seu voto na última semana das eleições.”

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* A pesquisa da Quaest divulgada no dia 27 de julho ouviu 1.104 eleitores entre os dias 21 e 25 de julho e foi encomendada pela Genial Investimentos. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: PR-04818/2026.

** A Pesquisa Bem Paraná/IRG divulgada no dia 29 de julho ouviu 1.200 eleitores entre os dias 24 e 28 de julho de 2026. A margem de erro é de 2,83 pontos porcentuais para mais ou para menos com intervalo de confiança de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: PR-03191/2026.

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