Disputa pelo governo põe à prova força política de Ratinho Junior
Sandro Alex (PSD) disputa com Requião Filho (PDT) espaço em um eventual 2º turno; Sergio Moro (PL) tenta liquidar eleição no 1º turno
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 2026
Sandro Alex (PSD) disputa com Requião Filho (PDT) espaço em um eventual 2º turno; Sergio Moro (PL) tenta liquidar eleição no 1º turno

A disputa pelo governo do Paraná chega à reta final colocando à prova a força política do governador Ratinho Junior (PSD), que tenta eleger seu ex-secretário Sandro Alex (PSD) para o Palácio Iguaçu. Requião Filho (PDT) disputa com o candidato governista espaço em um eventual segundo turno, enquanto Sergio Moro (PL) tenta liquidar a eleição neste domingo (4), quando 8.609.026 eleitores deverão ir às urnas.
Analistas ouvidos pela FOLHA apontam que Moro chega à reta final na dianteira, beneficiado pela projeção da carreira jurídica e pela identificação de parte do eleitorado com a direita e a Lava Jato. Requião Filho se apoia na própria trajetória e no peso político do pai, Roberto Requião, enquanto Sandro Alex aposta no apoio de Ratinho Junior e na vinculação ao atual governo.
Os três também contam com cabos eleitorais de peso. Requião Filho tem o apoio do presidente Lula (PT); Moro é o palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no Paraná; e Sandro Alex tem mantido sua imagem colada à do governador.
Também disputam o cargo Adriano Funileiro (PCO), Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP).
Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci, Sandro Alex dispõe de mais estrutura de campanha e apoios na disputa com Requião Filho, principalmente pelo envolvimento de Ratinho Junior. O governador intensificou nas últimas semanas as agendas ao lado do candidato, inclusive na região de Londrina.
Na avaliação do professor, o candidato ainda depende da imagem de Ratinho Junior para se apresentar como uma alternativa política viável ao eleitorado. Requião Filho, por outro lado, conta com uma estrutura menor, mas se beneficia da própria trajetória e da memória das gestões do pai, Roberto Requião, que deixou o governo do Estado há mais de 16 anos.
“Você tem o governador, que tem luz própria, e um candidato que depende da luz do governador”, exemplificou Cenci. Para ele, Sandro tem enfrentado mais dificuldades para se tornar conhecido e “entusiasmar o eleitor paranaense” do que Requião Filho, “que já é um político, apesar de jovem, bastante conhecido e tarimbado”.
O advogado Nilso Paulo da Silva, especialista em direito eleitoral, afirma que Moro iniciou a disputa na dianteira a partir da imagem construída como juiz federal e da projeção alcançada com a Operação Lava Jato, vantagem que, na avaliação dele, não foi desconstruída ao longo da campanha.
“Ele vem fazendo a manutenção e colocando em risco os demais competidores”, disse o especialista, que vê possibilidade de a eleição ser resolvida no primeiro turno. “Não é impossível, muito embora o governador tenha feito um movimento muito forte nos últimos dias para trazer seu candidato para a lembrança do eleitor.”
Silva também destaca que Sandro Alex demorou a ser confirmado como candidato do grupo governista. Antes dele, outros nomes foram cotados para a sucessão, o que, na leitura do advogado, atrasou a entrada do deputado na memória do eleitor.
“O Ratinho Junior, terminando seus oito anos, deixou para fazer a sua escolha mais ao final. Talvez precise ser analisado se é um comportamento que deve ser seguido por outros gestores na sucessão: preparar antes ou confiar na boa gestão para fazer o sucessor”, pontuou.




Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


