Disputa pela prefeitura de Guarapuava acaba na polícia
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quinta-feira, 15 de julho de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma disputa entre vereadores por uma interinidade de dez dias como prefeito em Guarapuava acabou virando caso de polícia. O prefeito Vitor Hugo Burko (PL) terá que deixar o cargo para participar do Fórum das Américas, em Quito, no Equador, entre os dias 24 de julho e 2 de agosto. Burko foi convidado como palestrante para levar para a capital equatoriana experiências positivas nas áreas do empreendedorismo e geração de renda. O convite foi feito pela Universidade Politécnica Salesiana (FSA) - Escola de Gestão para o Desenvolvimento Local Sustentável.
O que o prefeito não esperava é que sua ausência pudesse causar uma briga pelo poder. De acordo com a Lei Orgânica do município, na ausência do prefeito quem assume o cargo é o vice-prefeito Nei Caldas (PMDB). Entretanto, Caldas se licenciou do cargo para ocupar a presidência da Companhia de Desenvolvimento do Paraná (Codapar) num cargo em comissão no governo do Estado. Neste caso, o presidente da Câmara Municipal, vereador Dorival Angelussi (PDT), é quem assumiria a prefeitura. Como ele é candidato, não poderá fazê-lo.
A terceira alternativa prevista na legislação municipal é que a diretora do fórum assuma o cargo. A juíza Ana Paula Calebe Accioly Rotunno está em férias forenses e não poderá assumir a prefeitura. Na ordem, a escolhida seria a juíza eleitoral Cristine Bittencourt, que não poderá deixar suas funções por causa do ano eleitoral. ''Não tem como eu deixar meus afazeres para assumir a pasta. Este é um problema do vice-prefeito licenciado e dos vereadores e que deve ser assumido com responsabilidade. Não entendo por que tanto problema.'' Cristine assumiu a prefeitura em março de 2000, quando Burko casou e o vice-prefeito teve que se desincompatibilizar para disputar as eleições municipais. ''Era uma situação diferente e peculiar. Aceitei o desafio. Agora é impossível. O processo eleitoral está aí'', acrescentou.
Dos 21 vereadores de Guarapuava, quatro não irão se candidatar e estariam aptos a assumir o cargo: João Alberto Farah (PL), João Aparício Mendes de Araújo (PL), Luiz Arthur Pereira (PMDB) e o Pastor Irineu Rodrigues (PTB). Mendes, que era do PSDC trocou de partido num prazo de 48 horas e teria tentado dar um golpe na mesa executiva da Câmara, pediu a renúncia do vice-presidente da Câmara para que ele (sucessor pelo partido) assumisse o cargo. O golpe não teria dado certo. Os vereadores chegaram a discutir por várias horas. Os debates culminaram na agressão de Mendes ao assessor da presidência, Juarez Campos, que denunciou o vereador na delegacia de polícia por ''vias de fato''.


