Agência Estado
  Uma eleição que envolve alguns dos políticos mais importantes do País, responde pelo equilíbrio entre os Estados no Congresso, define quem pode julgar as autoridades máximas do governo e ainda concede um mandato de oito anos a seus vencedores está sendo ignorada pelo eleitor. Até agora, a disputa por 54 das 81 cadeiras do Senado – renovação de dois terços – só tem mobilizado os candidatos. É o que mostra uma pesquisa do instituto Datanexus com 2.545 pessoas, em 100 municípios de São Paulo, no início de junho. Desses entrevistados, apenas 1,5% sabia que haverá eleição para duas vagas no Senado.
  Apesar dos obstáculos, o cargo parece cada vez mais atraente. Em todo o País, são mais de 300 candidatos, numa média superior a 10 por Estado. Só em São Paulo são 27 pretendentes, o que dá uma média - 13,5 por vaga - semelhante à do disputado curso de Engenharia Mecânica da USP.
  Em todos os Estados, as vagas no Senado constituem moedas de inestimável valor nas negociações entre os caciques da política. Eles disputam as 57 vagas disponíveis nestas eleições com admirável apetite, o que contrasta enormemente com a apatia do eleitorado. Em alguns Estados, como Bahia e Pernambuco, a corrida pela cadeira de senador promete ser mais animada do que a de governador.
  Para entender melhor o valor dessa moeda, é bom lembrar que o Senado transformou-se em grande parte numa espécie de frigorífico para armazenamento de ex-governadores, caciques da política estadual. Da lista dos candidatos às vagas daquela Casa neste ano constam os nomes de 37 ex-governadores. Vão desde o histórico Leonel Brizola (PDT), que já governou gaúchos e cariocas, ao para lá de folclórico Geraldo Bulhões (PFL), ex-governador de Alagoas. A escolha dos nomes quase sempre é feita por arranjos destinados a acomodar as diferentes forças locais.

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