Brasília A era dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados por presidentes da República militares está chegando ao fim. Quando completar 70 anos, daqui alguns dias, o último deles, Sydney Sanches, que foi escolhido em 1984 pelo ex-presidente João Baptista Figueiredo, terá de se aposentar compulsoriamente. A retirada de Moreira Alves, indicado em 1975 por Ernesto Geisel e tido como uma lenda no STF, teve o mesmo motivo.
Considerados extremamente conservadores e rigorosos, ambos serão substituídos por juristas escolhidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um ex-metalúrgico preso durante o regime militar. Outra vaga surgirá no dia 2 de maio, com a aposentadoria do ministro Ilmar Galvão, que foi indicado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Apesar das frequentes reclamações de que os ministros do STF não ganham tanto quanto deveriam o maior salário é de R$ 17 mil e de que trabalham excessivamente cada um resolve cerca de 12 mil processos por ano existem aproximadamente 300 candidatos às três vagas 100 juristas disputam cada uma das cadeiras.
Por enquanto, dois candidatos estão mais próximos de assumir um posto no STF: o advogado sergipano Carlos Ayres Brito, ligado ao PT, e o procurador da República Joaquim Barbosa, que é negro e especialista no estudo de ações de combate ao preconceito contra minorias.
Além de ocupar as vagas surgidas com as aposentadorias, uma disputa interna e discreta deverá ser travada no STF, para a conquista do posto de pretenso formador de opinião. Até a semana passada, essa função era exercida por Moreira Alves, o então decano do Supremo e de personalidade, de certa forma, autoritária. Nos meios jurídicos de Brasília, acredita-se que a função será assumida pelo futuro decano do tribunal, Sepúlveda Pertence, que é um ministro mais político.

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