Disputa no Senado tem cenário indefinido e guerra nos bastidores
Equilíbrio marca a disputa entre Deltan Dallagnol, Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros pelas duas vagas de senadores do Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de setembro de 2026
Equilíbrio marca a disputa entre Deltan Dallagnol, Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros pelas duas vagas de senadores do Paraná

Curitiba - Se as pesquisas de intenção de voto para governador do Paraná apresentaram poucas diferenças nos últimos meses, na disputa pelas duas vagas do estado no Senado a situação é diferente. Quatro candidatos aparecem como favoritos, mas os números e a ordem variam a cada levantamento. E o cenário sequer foi definido: na próxima semana, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deverá julgar o pedido de registro da candidatura de Deltan Dallagnol (Novo), líder na mais recente sondagem da Paraná Pesquisas.
Divulgada na quinta-feira (3), o levantamento da Paraná Pesquisas mostrou três candidatos à frente, empatados tecnicamente: Dallagnol, com 30,8%, Alexandre Curi (Republicanos), com 28,4%, e Gleisi Hoffmann (PT), com 25,7%. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos. Em quarto aparece Filipe Barros (PL), com 22,9%, em empate técnico com Curi e Gleisi. Cristina Graeml (PSD) e Dr. Rosinha (PT) também estão empatados dentro da margem de erro, em quarto lugar, com 14,4% e 13%, respectivamente.
O resultado é diferente da última pesquisa Quaest, divulgada no dia 24 agosto, que mostra os quatro primeiros empatados tecnicamente, mas com a ordem invertida: Alexandre Curi com 15%, Gleisi Hoffmann com 11%, Filipe Barros e Deltan Dallagnol com 9% cada. Cristina Graeml chegou a 8%, e Dr. Rosinha a 6%. A margem de erros é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
“Pesquisas de duas vagas historicamente têm taxa de erro mais alta do que as majoritárias com uma só vaga em disputa, porque a decisão do eleitor amadurece mais tarde e é mais sensível à chapa e à coligação de última hora”, diz a cientista política Karolina Roeder, professora na Uninter e pesquisadora da UFPR. “O campo está estruturalmente mais aberto agora do que estava com Alvaro Dias na frente e as variáveis decisivas serão qual nome consegue emergir como escolha única e consolidada dentro do grupo governista e se o campo de oposição a Ratinho Junior, especialmente a Gleisi, consegue crescer aproveitando a fragmentação do bloco governista”.
Até desistir da disputa, no início de agosto, Alvaro Dias era visto como o favorito e mais conhecido pelo eleitorado. Seus votos, avalia a cientista política, tendem a se fragmentar. “Os nomes mais citados têm perfis muito diferentes entre si, então a sobra de Alvaro Dias pode se fragmentar em direções opostas, parte para o campo governista, parte para o campo bolsonarista e uma fração para Dallagnol como outsider anticorrupção”.
'FATOR DELTAN'
O “fator Deltan Dallagnol” ainda deixa o cenário indefinido. O ex-procurador teve o mandato de deputado federal cassado em 2023, por ter pedido exoneração do Ministério Público Federal (IMPF) quando respondia a 15 Processos Administrativos Disciplinares (PADs) no Conselho Nacional do Ministério Público.
A coligação Paraná Para Todos, que inclui o PT e apoia o candidato do PDT ao governo, Requião Filho, argumenta que Dallagnol foi declarado inelegível por oito anos em 2023 e só poderia voltar a disputar uma eleição em 2031. Ainda não houve definição por parte da Justiça Eleitoral. Na semana passada, a juíza do TRE-PR Vanessa Jamus Marchi negou o pedido de coleta de provas feito pelos advogados do ex-procurador e o julgamento poderá ser realizado após o feriado de 7 de Setembro.
ESTRATÉGIAS E GUERRA JURÍDICA
Nas propagandas eleitorais, os três grupos (apoiadores de Moro, apoiadores do governo e oposição) adotaram táticas diferentes. Deltan Dallagnol e Filipe Barros têm pedido voto conjunto, apostando no eleitorado antipetista. No PT, a estratégia foi lançar Dr. Rosinha como segundo candidato para evitar que o segundo voto seja dado para alguém de outra chapa – o que poderia pesar na conta final e atrapalhar a eleição de Gleisi Hoffmann.
Já Alexandre Curi e Cristina Graeml, apesar de estarem na mesma chapa, têm feito campanhas diferentes – ele aposta na continuidade do governo de Ratinho Jr e a candidata, identificada com o eleitorado bolsonarista, tem mirado nos votos da direita mais radical. Esse caminho tem colocado Cristina Graeml em rota de colisão com Filipe Barros e Deltan Dallagnol.
Barros tem dito que a candidato do PSD tem apenas “sabor de direita”, enquanto Dallagnol emitiu uma nota para lembrar que Cristina apoiou a operação Lava-Jato. Na semana passada, a candidata do PSD recorreu ao TRE para Dallagnol tirar do ar propagandas feita com o uso de Inteligência Artificial – o pedido foi negado pela juíza Sandra Bauermann.
"Que o PT tente me tirar da eleição, derrubar minha propaganda ou usar a Justiça para tentar silenciar minha campanha não me surpreende. O que eu jamais imaginei era Cristina Graeml desse lado. E é justamente por conhecer a história de Cristina que isso causa tanta perplexidade. Foi Cristina quem escreveu que minha eleição representava um 'recado claro do eleitor paranaense' em favor do combate ao crime do colarinho branco", afirmou o ex-procurador em nota. “Nós estivemos do mesmo lado dessa trincheira".
A campanha de Requião Filho pediu ao TRE-PR que a propaganda de Deltan Dallagnol seja retirada do horário eleitoral gratuito enquanto o registro de sua candidatura não for julgados. Os advogados citaram o caso de Pablo Marçal, que tentou concorrer à Presidência pelo PRTB, mesmo estando inelegível, e teve o acesso à propaganda e a recursos públicos barrados. A coligação Paraná Para Todos pediu ainda que Deltan não possa acessar recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário.
DEBATE
Os candidatos ao Senado de partidos que têm representação na Câmara dos Deputados participarão de um debate na próxima quarta-feira (9), a partir das 20 horas, na Band Paraná, em Curitiba. Foram convidados Alexandre Curi, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Dr. Rosinha, Filipe Barros e Gleisi Hoffman.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.


