Disputa na Bolívia está indefinida
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sexta-feira, 28 de junho de 2002
Raúl Burgoa<BR>France Presse 
La Paz Manfred Reyes Villa aparece como candidato favorito para as eleições de amanhã na Bolívia, enquanto impera a incerteza sobre quem ocupará o segundo lugar, resposta-chave para decidir o vencedor da disputa no Congresso, caso ninguém consiga 51% dos votos. Apesar de Reyes Villa, um ex-capitão do Exército de 47 anos, manter a preferência nas pesquisas há três meses, a hora da verdade pode chegar a ganhar e não chegar a governar, resumiu a um jornal local o analista José Luis Scotto.
Reyes Villa, líder da Nova Força Republicana (NFR, direita), que afirma ter planos para acabar com a pobreza e a corrupção, lidera com 26,6% e 24% as intenções de voto, segundo as duas últimas pesquisas, apesar destes percentuais serem insuficientes para garantir pelo voto direto a cadeira presidencial.
A Constituição Política prevê que não há vencedor se o percentual for inferior a 51%, o que obriga os dois primeiros candidatos nas eleições a passarem pela votação do Congresso para decidir quem será o presidente. Com a possibilidade de desequilibrar a disputa e guardar a chave de acesso ao Palácio do Governo no Congresso, o terceiro colocado nas intenções de voto mantém uma situação de expectativa, como aconteceu invariavelmente nas últimas quatro eleições.
Dois ex-chefes de Estado que lutam pelo segundo lugar também têm chance de entrar na disputa no Congresso. O-ex presidente liberal Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-97) possui 20,2% e 17% de adesões e o ex-governante do social-democrata Jaime Paz Zamora (1989-93) deve conseguir de 13% a 16,1%, segundo pesquisas na Internet.
De acordo com as mesmas pesquisas, o candidato socialista e líder dos produtores de coca, Evo Morales, tem 13%. Defensor da liberdade para plantar coca, ele foi favorecido por declarações da Embaixada dos Estados Unidos de que seria retirado o apoio ao país se o eleitorado optasse por apoiar os que querem que a Bolívia volte a se tornar um exportador de cocaína importante.
As eleições de domingo devem ser a maior derrota para o governo, cujo candidato, o direitista Ronald MacLean, possui entre 4% e 5% das intenções de voto. As eleições vão renovar a presidência e vice-presidência por cinco anos e 27 vagas para o Senado e 130 para a Câmara dos Deputados.


