Disputa marca depoimento de Murta
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Agência Estado De Brasília 
Agência Estado
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ColaboradorO presidente do Bradesco, Lázaro Brandão: frase de efeito, com elogios à CPI dos Títulos PúblicosO Banco do Estado do Paraná (Banestado) tentou comprar diretamente do Banco de Santa Catarina (Besc) letras financeiras daquele Estado, mas recebeu a resposta de que todos os títulos já estavam colocados. O Besc, no entanto, que vendeu R$ 200 milhões dos seus papéis para o banco Vetor, ainda possui hoje em carteira cerca de R$ 300 milhões desses títulos.
A mesa da corretora Banestado ligou para o Besc e o Besc disse que não tinha mais títulos, contou o diretor financeiro do Banestado e ex-diretor da corretora, Wilson Mugnani. Ouçam bem isso, destacou o relator da CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR). Interrogado por Requião, Mugnani não deu detalhes dos telefonemas para o Besc. Não me lembro quando e nem quem ligou, disse.
A sessão da CPI para ouvir a diretoria do Banestado - que comprou títulos de Alagoas, Pernambuco, Osasco e Guarulhos, proporcionando lucro de R$ 30 milhões sobretudo a corretoras-laranjas - começou tumultuada pelas disputas regionais. Adversário do governador Jaime Lerner (PDT), o relator Roberto Requião apresentou o Banestado como um banco em decadência e protestou até pelo fato de o presidente da instituição, Domingos Murta Ramalho, ter lido um pronunciamento de três páginas em vez de falar de improviso.
A rivalidade regional acabou crescendo até o ponto em que o presidente do Banestado responsabilizou Requião, ex-governador do Paraná, pela nomeação do diretor de Operações Paulo Roberto Gonçalves da Silva, encarregado das transações que estão sob investigação da CPI. O senhor me pergunta quem nomeou a diretoria da corretora e foi o senhor mesmo, afirmou Ramalho.
Requião não rebateu a informação. Preferiu atacar o Banestado. Vocês têm R$ 120 milhões na mão de dez pessoas e lavaram mais de R$ 1 bilhão, acusou Requião. O presidente da CPI, senador Bernardo Cabral (PFL-AM), interrompeu a briga. Se continuar assim, vou suspender o depoimento, ameaçou. No final do depoimento, o relator pediu a demissão de toda a diretoria do grupo Banestado. Mesmo com a CPI já instalada, eles compraram títulos de Osasco, informou. Têm que ir para o olho da rua, completou.
Já o presidente do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, disse ontem que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos vai mudar a face do mercado financeiro. A frase foi destacada pelo presidente da CPI, senador Bernardo Cabral (PFL-AM), para ressaltar o espírito de colaboração com que os dirigentes do maior banco privado do País se apresentaram para depor pela primeira vez na História em uma comissão parlamentar.
O depoimento, cercado de expectativa, transcorreu de maneira tranquila, no Senado e no mercado, a não ser por algumas rusgas entre Cabral e o relator Roberto Requião (PMDB-PR), também inéditas na história da CPI. Eram 10h08 quando Lázaro Brandão entrou na sala, acompanhado de seu vice-presidente executivo, Ageo Silva, e mais quatro diretores do Bradesco. Ao ser qualificado pelo presidente declarou nome, idade, endereço, CPF e a profissão: bancário.
Ao longo das quatro horas e meia de depoimento as bolsas se comportaram normalmente, como ressaltou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). A tendência é até de alta na bolsa, informou Suplicy no meio da sessão.


