Disputa interna teria motivado denúncia
Curitiba - A denúncia feita por Gabriel Furquim teve outra consequência prática desde 2006: o ex-diretor do Grupo Dignidade foi condenado por calúnia e difamação na Justiça Paranaense num processo movido pelo ex-presidente da entidade e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. ''Ganhei o processo contra ele'', afirmou. A ação não teve andamento porque Furquim foi assassinado em junho de 2009.
Em entrevista à FOLHA, a atual presidente do Dignidade, Rafaelly Wiest, disse à FOLHA que a denúncia de Furquim ao Conselho Estadual de Saúde foi motivada por disputas internas na entidade. ''Ele pediu para sair e depois quis voltar e não gostou por não retomar as funções que tinha antes'', explicou.
Wiest disse que os questionamentos apresentados pelo TCU em relação às prestações de contas são de ''ordem formal''. ''Tudo isso foram falhas administrativas. Não teve desvio de recurso'', afirmou. A presidente explicou ainda que ''o devido processo legal ainda está em trâmite, e este certamente demonstrará a correção do Grupo Dignidade na aplicação de recursos públicos''.
Levantamento feito pela FOLHA no portal da Transparência do governo federal aponta que de 2004 a 2006 o Grupo Dignidade recebeu R$ 725 mil do governo federal. Já o Cepac foi contemplado com R$ 23 mil. Em 2008, o Centro fechou novos convênios com a administração federal: R$ 600 mil.
Segundo Wiest, além de receber recursos federais, o Dignidade também é patrocinado por verbas do governo estadual e da prefeitura de Curitiba. Além de arrecadar recursos com a venda de preservativos.
A reportagem da FOLHA tentou contato com Igor Francisco, presidente do Centro Paranaense de Cidadania (Cepac), mas foi informada que ele está em viagem. (R.C.F.)





