Disputa ideológica gera clima de tensão e até ameaça de greve em Jaboticabal


MARCELO TOLEDO
MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Um candidato é criticado por ter mudado de partido. Outro é alvo por supostamente ser agora de um outro espectro ideológico. A briga ideológica que tem se espalhado como rastilho de pólvora em redes sociais e aplicativos de mensagens tem gerado um clima de tensão na eleição e até ameaças de greve em Jaboticabal (a 342 km de São Paulo).

Enquanto os candidatos à prefeitura não se envolvem diretamente nas críticas, inclusive iniciaram os programas no horário eleitoral com tom de paz e amor, cabos eleitorais e concorrentes a uma vaga na Câmara da cidade têm insuflado discussões sobre direita e esquerda.



Dois candidatos têm sido os mais criticados nas postagens: Professor Emerson (Patriota) e Professor João (DEM), mas Baccarin (PT) também tem sido alvo de ataques. Além deles, disputam a prefeitura Vitorio de Simoni (MDB) e Marcos Bolsonaro (PSL).

Em áudios atribuídos a servidores públicos que viralizaram no WhatsApp, por exemplo, é cogitada a hipótese de parar a prefeitura caso Emerson seja eleito. "Vamos fazer como na época da Carlota [1997-2004], vamos quebrar tudo. Vamos apoiar quem nós acha [sic] que tem de entrar nessa bosta", diz um deles.

Na conversa, um áudio atribuído a Maria Elvira Armentano, presidente do sindicato dos servidores e candidata a vereadora pelo MDB, concorda: "Qualquer coisa nóis para [sic] a prefeitura de novo mais 52 dias."

Carlota citada nas mensagens é a ex-prefeita Maria Carlota Niero Rocha (PT), hoje candidata a vice na chapa do também petista Baccarin. A sigla atribui à greve parcela do desgaste que enfrentou nas eleições seguintes, em que não conseguiu mais eleger um prefeito.

A Folha de S.Paulo procurou a presidente do sindicato, mas não a encontrou. Ela não respondeu ao recado deixado em sua casa.

"Já existia [conflito], mas com as redes sociais isso tudo fica mais visível. As pessoas têm na campanha um comportamento mais acirrado, parecido de quando entra num campo de futebol", afirma Baccarin.

Membros de campanhas ouvidos pela Folha afirmam que o cenário está mais belicoso em 2020 do que em outras eleições locais devido justamente à maior participação de eleitores em redes sociais e por considerarem uma campanha aberta, sem um candidato disputando a reeleição.

No caso de Professor João, a crítica feita se deve à mudança de um partido para outro, de posições antagônicas. Até 2019, ele presidiu o diretório do PT na cidade, mas deixou a sigla quando se tornou secretário da Saúde do prefeito José Carlos Hori (Cidadania). Neste ano, se filiou ao DEM para disputar as eleições.

"Vejo a eleição deste ano mais quente do que as eleições passadas, está mais pesada. Mas isso [as críticas pela troca partidária] não me preocupa, sempre fui uma pessoa equilibrada e todos conhecem minha postura."

A coligação de Emerson, por sua vez, procurou o Ministério Público Estadual sobre o teor dos compartilhamentos e deve ir à polícia registrar o caso como medida preventiva. "Temos visto ataques, mas vamos manter o trabalho sério e transparente, ainda que isso afronte um pouco essas pessoas", disse ele.

Vitorio disse que procura ficar totalmente fora de discussões em redes sociais e que tem feito campanha baseada na apresentação de propostas para Jaboticabal.



"Não é minha postura, campanha se faz com projetos, visão de futuro. As pessoas hoje estão muito agressivas, isso é geral, mas a crítica não constroi, o que constroi é o trabalho", disse.

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