São Paulo - Após a última rodada de pesquisas eleitorais, cientistas políticos ouvidos pela Agência Estado avaliam que o candidato do PSDB, José Serra, perdeu força antes do esperado, mas o bom desempenho da candidata do PT, Dilma Rousseff, não será suficiente para decidir a eleição no primeiro turno. Para o diretor do Eurasia Group para a América Latina, Christopher Garman, e o professor do Insper, Carlos Melo, alguns fatores, como o crescimento do País, que deve chegar a 7,3% neste ano, segundo o BC, e o início da campanha na TV, devem consolidar a dianteira de Dilma e levá-la a vencer o primeiro turno com uma margem de cinco a dez pontos porcentuais de vantagem sobre Serra, sem contudo alcançar a maioria absoluta dos votos. ''O empate técnico na pesquisa Datafolha divulgada ontem dá um alento aos tucanos na atual conjuntura'', comentou Melo. De acordo com o levantamento do Datafolha, Serra alcança 39% e Dilma chega a 38% das intenções de voto.
Garman e Melo ponderam que em junho a exposição no programa eleitoral do PSDB e a inserção em comerciais de partidos aliados deveriam ter levado José Serra a registrar uma vantagem expressiva sobre Dilma Rousseff, o que não ocorreu. ''A coordenação da campanha de Serra gostaria de ter visto a abertura de seis a oito pontos porcentuais de dianteira sobre Dilma. Mas, como isso não aconteceu e Dilma assumiu a primeira posição nas pesquisas realizadas pelo Ibope e Vox Populi, surgiu uma frustração na candidatura do tucano'', disse o diretor do Eurasia Group. Os levantamentos realizados pelo Ibope e Vox Populi em junho apontaram que a candidata do PT atingiu 40% e Serra 35%. Já a pesquisa Datafolha indicando empate técnico foi feita nos dias 30 de junho e 1.º de julho.
Na avaliação de Melo, ocorreram vários erros na campanha de José Serra no mês passado que deram condições para que Dilma o ultrapasse em duas pesquisas quando isso ainda não estava previsto. A primeira delas foi o PSDB ter criado a grande expectativa de que o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves poderia ser o vice de Serra e uma espécie de ''Messias'' que traria a vitória. ''Como isso não ocorreu, qualquer candidato a vice que não fosse ele seria o anticlímax, uma decepção'', disse.
Daí, destaca o professor do Insper, o senador Alvaro Dias foi o escolhido, o que abriu uma crise na parceria política entre o DEM e o PSDB. ''Os Democratas aproveitaram que Serra não estava tão bem junto ao eleitorado e foram firmes na indicação do vice'', disse. ''O fato é que esta questão da escolha do companheiro de chapa causou uma lambança tão grande que só prejudicou a candidatura, num momento em que a campanha deveria estar azeitada e funcionando direito.''
Ambos os cientistas políticos acreditam que o intenso apoio do governo na campanha petista e a propensão do eleitorado de querer a continuidade das boas condições da economia tendem a garantir uma vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra nos próximos três meses, desde que não ocorram fatos extraordinários. Melo e Garman não acreditam que a eleição será decidida no primeiro turno, pois avaliam que a disputa continuará acirrada. Para o professor do Insper, a candidata do PT deve atingir no dia 3 de outubro cerca de 40% dos votos, enquanto Serra deve chegar ao redor de 35%. Na avaliação do diretor do Eurasia Group, o candidato tucano deve chegar aos 35%, enquanto Dilma deve alcançar uma marca ao redor de 45%.
Os especialistas destacam a influência do desempenho da economia sobre as perspectivas eleitorais mais favoráveis para Dilma do que para Serra. Segundo Garman, um estudo recente feito pelo Eurasia Group com a Ipsos Public Affairs mostrou que, na análise de 102 pleitos envolvendo eleições para presidente em diversos países e para governador em Estados nos EUA, em 87% dos casos os administradores que estavam no poder conseguiram fazer seus sucessores quando o PIB apresentava uma boa evolução e o otimismo da população com seu futuro estava em alta.
Melo ressalta ainda que a campanha tucana não conseguiu até agora mostrar aos eleitores que é a melhor opção para tornar a expansão do País sustentável no longo prazo, elevar os investimentos em infraestrutura e melhorar o nível de escolaridade, saúde e segurança pública. ''Essas são as grandes questões que importam para o povo e que não estão sendo abordadas pela candidatura do PSDB'', afirmou.

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