São Paulo - Uma ''guerra surda'' pela sucessão municipal de 2008 está instaurada e já ocupa palanques políticos oficiosos na capital e em Brasília. A pouco mais de um ano do pleito, aliados do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) duelam sem cerimônia para galvanizar partidários às candidaturas.
O discurso em favor de manter a aliança tem pré-condições de ambas as partes: democratas não aceitam outro candidato senão Kassab; alckmistas dizem que, se o ex-governador quiser entrar na disputa, ''nem o espírito santo'' poderá impedir.
Enquanto as lideranças nacionais do partido tentam demarcar território, Alckmim e Kassab encenam um falso distanciamento da mobilização que eles próprios articulam nos bastidores. ''É cedo para falar em eleições'' é o discurso famigerado dos candidatos.
Alckmin é o líder nas pesquisas e venceria com folga qualquer cenário de disputa, segundo o Datafolha do final de julho. No primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, o tucano bateu Lula na capital paulista com 53,8% dos votos, ante 35,7%.
Mas a aprovação à gestão Kassab dobrou nos últimos quatro meses - chegou a 30% em julho - e importantes obras serão inauguradas perto das eleições, como 22 CEUs. O prefeito também tenta consolidar bases na periferia, atraindo ex-aliados da prefeita Marta Suplicy (PT), além de contar com o apoio do governador José Serra (PSDB).
Já no PT, principal adversário da chapa DEM-PSDB, caciques prevêem uma ''guerra civil'' no partido caso a ministra não entre na disputa - são ao menos quatro postulantes que devem disputar as prévias no ano que vem.
À parte da disputa entre petistas, tucanos e democratas, dois ex-prefeitos têm candidaturas certas: Paulo Maluf (PP) e Luiza Erundina (PSB).
Lideranças do PSDB e do DEM ouvidas pela reportagem descartam um entendimento antecipado em favor de alguma candidatura. ''Se o Alckmin quiser ser o candidato, ele será unanimidade. A aliança existiu nas eleições de 2004, agora temos de reconstruir uma nova aliança'', argumentou o presidente estadual do PSDB, deputado federal Mendes Thame. ''Caso democratas e tucanos tenham candidato próprios, as chances de o PT ganhar aumentam'', acredita o deputado.
Entre os democratas, a possibilidade de Kassab abdicar da candidatura em favor de Alckmin é descartada. ''É uma decisão partidária defender a reeleição do Kassab. O Democratas quer crescer em São Paulo'', afirmou o vereador Domingos Dissei, líder do partido na Câmara Municipal.
Para o cientista político Cláudio Couto, da PUC-SP, o caminho da ruptura na aliança será inevitável. ''O Alckmin quer ser candidato para recuperar o prestígio político e equilibrar as forças no partido com o Serra, o partido não tem como vetá-lo. E o Kassab é candidato à reeleição.''

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