O pré-candidato ao governo do Estado, senador Roberto Requião (PMDB), disse ontem em Londrina que a tarefa da escolha do vice para sua chapa ‘‘cabe a eles’’, referindo-se aos partidos de sua coligação. ‘‘A mim restaria o veto, mas são todos muito bons e por isso não haverá veto’’, afirmou Requião.
PT e PDT brigam pela vaga. O PT lançou o deputado federal Nedson Micheleti para vice, mas o PDT também pretende tirar sua indicação na convenção de domingo. Ele disse ter conversado anteontem com o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PDT), mas a conversa ‘‘não trouxe nada de conclusivo’’. Ontem, em Londrina, Requião estava acompanhado de líderes do PMDB e do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT). Para o senador, a disputa entre PT e PDT pela vice é ‘‘saudável’’. Ele não acredita que o impasse possa comprometer a Frente das Esquerdas.
Segundo ele, a Frente é formada por 11 partidos e existe a expectativa de que outros dois pequenos partidos se unam à coligação, que deverá chamar-se ‘‘Mais Paranᒒ ou ‘‘PAS’’ (Produção, Amor e Solidariedade). Requião disse que tem conversado diariamente com ‘‘o amigo Álvaro Dias’’, mas não arrisca dizer como ficará a situação de Álvaro, indefinido entre disputar o governo pelo PSDB ou o Senado.
Requião também visitou Arapongas e Maringá. Em Londrina, por mais de meia hora ele atacou os programas de Jaime Lerner (PFL), o secretariado, o pedágio, a falta de segurança no Estado, a falta de investimento na agricultura, o fechamento de pequenas e médias empresas. O pré-candidato disse que o Estado está sendo vítima de ‘‘dez pragas’’. ‘‘Incluindo a corrupção e a incompetência administrativa’’, reforçou.
A privatização do Banestado foi alvo de grandes críticas por parte de Requião. Ele comparou o rombo - de R$ 4,1 bilhões - à venda da Vale do Rio Doce, privatizada em 97 por R$ 3,3 bilhões (o equivalente a 41,73% das ações da União).
Ele calcula ainda que o atual governo vai gastar R$ 325 milhões de publicidade até o final do mandato. ‘‘Eu, em quatro anos, gastei R$ 28 milhões e às vezes ainda perdia o sono’’, garantiu. Requião disse que o cálculo está baseado na prestação de contas do próprio governo ao Tribunal de Contas, que segundo ele, gastou R$ 32,9 milhões em 95; R$ 84 milhões em 96; R$ 107 milhões em 97 e deve gastar mais de R$ 100 milhões este ano.
Como solução, o senador prega: ‘‘É só votar na nossa coligação para acabar com essa história, essa marmelada’’.Josoé de CarvalhoSenador Requião: Paraná está sendo atingido por ‘‘dez pragas’’Patrícia Zanin

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