Disputa de poder provoca racha na Ferropar
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma disputa de poder está provocando um racha entre as empresas que integram o consórcio que controla a Ferrovia Paraná S/A (Ferropar). O consórcio é formado pelas empresas Pound S/A, FAO - Empreendimentos e Participações Ltda., Gemon - Geral de Engenharia e Montagens S.A., ALL - América Latina Logística do Brasil S.A. Ultimamente elas vêm se revezando na indicação da diretoria por força de liminares judiciais porque um grupo não aceita o outro no comando da empresa.
A disputa pelo poder na empresa se acirrou nos últimos 40 dias e vem sendo motivada pela falta de entendimento com relação à investimentos. A empresa tem a concessão do ''filé mignon'' do transporte ferroviário do Paraná, daí a necessidade de adquirir material rodante para ampliar o volume de produção transportado. A Ferropar opera um trecho de 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava e planeja transportar este ano dois milhões de toneladas de grãos, embora tenha potencial para dobrar esse volume.
A Folha apurou junto à Ferropar que o grupo formado pelas empresas Pound e Gemon defendem os investimentos na empresa, com a compra de material rodante. Atualmente a Ferropar opera com frota própria constituída por 17 locomotivas e 350 vagões. Mas precisa ampliar essa estrutura para atender a demanda potencial da região oeste do Paraná, que é a maior produtora de grãos do Estado.
As empresas Pound e Gemon se opõem às parceiras ALL e FAO. No último lançe judicial, a empresa Pound S/A conseguiu liminar concedida pelo juiz federal Zuudi Sakakihara, da 1 Vara Federal de Curitiba, que cancelou o registro da ata que elegeu a nova diretoria da empresa ferroviária na Junta Comercial do Paraná. Portanto, por força de medida judicial a Pound está no comando na Ferropar.
No final da tarde de sexta-feira, a Pound conseguiu uma decisão da 6 Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, que concedeu efeito suspensivo da sentença do juiz da 2 Vara Cível de Cascavel, que tinha dado a posse da diretoria da Ferropar para as empresas FAO e ALL.
Segundo apontava o mandado de segurança protocolado pela Pound, a reunião do Conselho de Administração da Ferropar, realizada no dia 25 de agosto e registrada na Junta em 1º de setembro, contou com a presença de apenas quatro conselheiros de um total de oito. O estatuto da empresa prevê a necessidade da maioria absoluta dos conselheiros para que se instalasse a reunião.
O governo estadual, maior acionista da Ferroeste, empresa que construiu a ferrovia no trecho de Cascavel a Guarapuava, e dona da estrutura, assiste tudo à distância. De acordo com o diretor técnico da Ferroeste, Heitor Wallace de Mello, enquanto essa disputa não prejudicar o usuário que precisa da ferrovia para transportar a safra agrícola, o governo não pensa em intervir. ''As partes têm que se entender e o usuário não pode ser afetado'', frisou.
Recentemente, o governador Roberto Requião (PMDB) sugeriu à direção da Ferroeste, a anulação do contrato com a iniciativa privada, ''por inadimplência contratual''. Segundo ele, a estrada custou US$ 333 milhões aos cofres estaduais e foi dada de presente para um grupo privado, que não investiu.


