Disputa de espaço entre partidos preocupa FHC
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Agência Estado 
Maior do que a preocupação com a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará o sistema financeiro é a apreensão do presidente Fernando Henrique Cardoso com a disputa de espaço entre os partidos aliados, principalmente o PFL e o PSDB, com vistas à exclusão do PMDB.
O presidente identifica nos movimentos de caciques do PFL, com destaque para o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), movimentos para acirrar a disputa e levar o governo ao rompimento com os peemedebistas. Os principais articuladores políticos do Palácio do Planalto asseguram que o presidente não cogita dispensar qualquer partido da base de sustentação do governo. Consequentemente, não está disposto a participar do jogo de pressão para excluir o PMDB.
A maior prova da disposição de Fernando Henrique de acomodar os conflitos foi sua decisão de nomear Genésio Bernardinho (PMDB-MG) para a diretoria do DNER e Wagner Rossi (PMDB-SP) para a Companhia Doca de Santos, comunicada ao líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), na quarta-feira. O Ministério dos Transportes confirmou a nomeação de Bernardino que deverá ser publicada no Diário Oficial de segunda-feira.
Diante desse diagnóstico, a assessoria política do Planalto reconhece que o trabalho de articulação com as bases está falho e precisa ser incrementado. O próprio presidente já começou a se envolver pessoalmente nesse esforço, de conversar não só com o PMDB, mas também e principalmente com o PFL, para deixar clara a necessidade de coesão da base, para o governo.
Não há que se falar em dispensar qualquer partido da base, porque precisaremos de quórum de três quintos para fazer muitas mudanças na Constituição, e ainda temos que prorrogar o FEF (Fundo de Estabilização Fiscal) no final deste ano, observou um assessor político governista.
No entanto, o comportamento de algumas lideranças do PMDB, como o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), de desafiar o governo e questionar a autoridade do presidente da República em conversas reservadas ou mesmo com a imprensa, não contribui para preservar o bom relacionamento do partido com o Planalto, na avaliação dos articuladores governistas.
Essa postura só alimenta a expectativa dos outros parceiros, que pressionam para afastar o PMDB, observou um assessor palaciano, explicando que o presidente fica submetido a cobranças de outros aliados e da própria opinião pública para reagir.
Essa é uma profecia que se auto-realiza, completou outro articulador, ao lembrar que o PMDB vem tentando fazer crer que pode prescindir do governo, por ser o maior partido no Congresso e ter alternativa própria para as eleições presidenciais de 2002. A origem de toda a instabilidade da base está na crença de que o governo não precisa mais da base completa, porque já concluiu a votação do ajuste fiscal.


