Disputa atrasa escolha de cargos
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domingo, 19 de janeiro de 2003
Flávio Mello<br>Agência Estado 
São Paulo Uma disputa velada, que envolve mais de R$ 5 bilhões só em 2003, em investimentos e outras atividades de diversos órgãos do governo, está atrasando a definição dos cargos de segundo e terceiro escalões do governo federal. A recomendação dos articuladores políticos do Palácio do Planalto é para que os partidos contemplados com ministérios permitam a participação de nomes indicados por outros partidos. Por isso, a nova engenharia política ainda não tem prazo para ser concluída.
O presidente nacional do PT, deputado José Genoino, negou a existência de disputas, disse que não há toma-lá, dá-cá porque segundo ele o governo está privilegiando os cargos de carreira e não há prazo para definições.
Versões oficiais à parte, a prática mostra uma outra realidade. No processo de composição política, o governo além de interferir diretamente na sucessão no Senado em favor de José Sarney (AP), que disputa com Renan Calheiros (AL) a indicação do PMDB para presidir a Casa , já começou a provocar mágoas na partilha dos cargos.
O senador Ademir Andrade (PSB-PA), que é engenheiro civil e trabalhou na construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí na década de 70, não esconde de ninguém que a sua expectativa era dirigir as Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte).
Apesar de garantir que o seu nome tinha o aval dos governadores e do PT da região Amazônica, Andrade admitiu ter ficado chateado ao ver o seu sonho ''de trabalhar para ajudar no desenvolvimento regional'' cair. ''Tudo foi resolvido, a Eletronorte ficou para o Sarney.''
Aliado de primeira hora, o PL, além de ter emplacado a Vice-Presidência com a indicação do senador José Alencar (MG), conquistou o Ministério dos Transportes. Isso não significa, no entanto, que o partido terá controle sobre os órgãos vinculados ao ministério portos e o poderoso Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), cujo orçamento previsto é superior a R$ 5 bilhões.
O presidente do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), explicou que os comandos do Dnit e dos portos vinculados ao ministério ainda não foram definidos, porque, como a determinação é para não ''verticalizar'' os ministérios, indicações feitas pelo governo e sugestões apresentadas por outros partidos da base aliada estão sendo avaliadas.
Depois do Ministério do Turismo, o PTB, que apoiou Lula no 2º turno das eleições, conquistou a presidência da Infraero, com o senador Carlos Wilson (PTB-PE). Convencido de que os partidos políticos têm de ''executar'', além de dar apoio às políticas do governo, o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), acredita que um trabalho em conjunto entre a Infraero e o Ministério do Turismo renderá frutos ao partido.
''Se nós melhorarmos o atendimento nos aeroportos e ampliarmos os postos de trabalho trazendo mais turistas, teremos contribuído para o Brasil e aí o partido terá de alardear isso para a população para ter, também, dividendos políticos.''
O PRV está de olho também na vice-presidência de governo e Agronegócios do Banco do Brasil. O Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ainda não decidiu quem comandará a instituição, mas um dos nomes imaginados pelo PTB é o senador Arlindo Porto (MG). Ele admitiu que, se a indicação der certo, fortaleceria muito o partido no interior do País.
Em parceria com o prefeito de Manaus, Alfredo do Nascimento (PL), o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PPS), deve indicar o nome para ocupar a Superintendência da Zona Franca de Manaus. Braga explicou que o seu interesse é participar, em parceria com os demais governadores da região, da política de desenvolvimento para a região.
Essas definições podem começar a ocorrer na próxima semana, segundo assessores políticos do Planalto.


