DISPUTA - Borá tem apenas 833 eleitores
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sábado, 31 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo Enquanto os candidatos a prefeito e vereador das grandes e médias cidades correm atrás de milhões, milhares ou pelo menos centenas de votos, os de Borá, na região de Marília, lutam por dezenas, no máximo centenas. Lá, fica o menor colégio eleitoral do País 833 eleitores. Mas nem por isso a disputa é menor.
O vereador José Caetano de Oliveira (PMDB), que busca o seu quinto mandato, revela que foi eleito com 51, 52, 52 e 39 votos. Se obtiver o mesmo número nesse ano, terá sua cadeira garantida. Nas últimas eleições, o prefeito Nelson Celestino Teixeira (PSDB), que cumpre o terceiro mandato e tenta mais um, foi candidato único e elegeu-se com 707 votos 77,52% dos votantes de então. Os nove vereadores receberam entre 33 e 130 votos, e o mais votado, Luiz Carlos Rodrigues (PT), hoje é candidato à prefeitura.
Nas eleições de 1996 e 2000, a prefeitura foi disputada por candidato único. Os políticos locais registravam então a inexistência do PT no município. A chegada do partido do presidente Lula deu-se apenas em setembro do ano passado, quando arrebatou Rodrigues, até então filiado ao PSDB, com a meta de fazê-lo candidato ao Executivo. E, para a montagem da chapa, de oposição, fez coligação com o PFL. Também por peculiaridades políticas locais, depois de 23 anos de militância, o prefeito trocou o PMDB pelo PSDB, mas mantém a coligação com os dois partidos.
Para este ano, são dois candidatos à prefeitura e 26 à Câmara de Vereadores, composta por nove cadeiras. Sem rádio, jornal ou televisão para veiculação de sua propaganda, os políticos boraenses fazem a típica campanha do corpo-a-corpo, e o que mais gastam é sola de sapato. Percorrem todas as casas do município, tomando café (às vezes uma caninha!), expondo suas idéias e pedindo diretamente o voto. Todo o tempo de campanha é aplicado no contato direto com o eleitor nas poucas ruas da área urbana e nos sítios e fazendas da área rural. ''É o verdadeiro encontro com o eleitor, que tem a oportunidade de nos passar seus problemas e também de cobrar coisas; por isso, temos de tomar cuidado com as promessas'', diz o presidente da Câmara, João Antonio Nespoli (PSDB).
Além do corpo-a-corpo, a campanha também se desenvolve nos muros e paredes, usados em proporção bem maior que os das localidades com meios de comunicação. ''Nossa campanha é feita na base do contato pessoal, com os muros pintados e alguns santinhos que mandamos imprimir mais perto da eleição'', disse um concorrente. Segundo ele, até os comícios são desnecessários. Pelo tamanho do eleitorado, é mais fácil falar com um por um.
Resultante de um núcleo de imigrantes italianos, portugueses e espanhóis que ali chegaram em 1918, Borá foi criada em 1934 como distrito de Paraguaçu Paulista e emancipou-se em 1964. Sua economia é agropecuária e dependente de uma usina de açúcar e álcool que ali funcionou até 1986 e agora está sendo reativada, devendo começar o processo industrial no próximo ano.
Por conta disso, a cidade já prepara a construção de 150 casas populares para abrigar os trabalhadores da indústria e, provavelmente, deixar de ser o menor colégio eleitoral.
Durante os últimos mandatos apenas um grupo tem governado. Todos os projetos do prefeito têm sido aprovados por unanimidade na Câmara, que faz sessões quinzenais. Atualmente o prefeito recebe salário de R$ 5 mil e os vereadores R$ 400 mensais. Todos fazem questão de dizer que mais importante que o dinheiro é trabalhar pela comunidade. Mas essa idéia de unidade política parece ser coisa do passado, tanto que hoje já existe a candidatura de oposição.


