Disparidade no número de processos no PR chega a 300%
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de junho de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O congestionamento de processos na Justiça Estadual do Paraná registra enormes disparidades na comparação entre algumas das principais cidades -e entre varas cíveis e criminais de uma mesma comarca. A FOLHA fez um levantamento no site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reúne a movimentação de processos na justiça de todo o país.
Em dezembro de 2008, a média de processos nas duas varas cíveis de Guarapuava, por exemplo, chegou a 15.471 - mais que o dobro de Ponta Grossa, que tinha em média 6.691 processos por vara cível. Londrina, no mesmo mês, registrava média de 14.080 processos por vara cível, Curitiba 9.834 e Maringá 9.952. O diferencial de Curitiba é que cada vara tem dois juízes.
A quantidade de processos é menor nas varas criminais, mas a disparidade é crescente. Dentre as principais cidades paranaenses pesquisadas pela reportagem, a recordista de processos por vara criminal é Apucarana, com 9.618; em seguida aparece Curitiba, com 5.683; Cornélio Procópio, com 3.437; e Londrina, com 3.142.
A produtividade dos juízes também varia nas diferentes varas. Em dezembro do ano passado, a quantidade de sentenças com mérito registradas nas dez varas cíveis de Londrina variou de zero a 80.
O único elemento em comum em todas as varas é o aumento do congestionamento de processos - isso, porque, o número de demandas encerradas (com ou sem julgamento de mérito) equivale a menos da metade da quantidade de processos iniciados no mesmo período.
Os dados detalhados da movimentação de processos nas principais cidades reflete as causas do mau resultado obtido pela justiça paranaense no relatório nacional publicado pelo CNJ no início do mês. O documento apontou que o Paraná é o 5º estado com maior percentual de congestionamento (processos sem decisão) - com 85,6% do total, contra média nacional de 79,6%.
O juiz da 6ªVara Cível de Maringá, Belchior Soares da Silva, aponta que a situação local é exatamente a descrita pelo CNJ. De acordo com ele, a 6ªCível já recebeu 700 processos em 2009, mas a capacidade de julgamento é bem menor que isso. Nesse ritmo vamos para 1.400 processos novos em 2009. Se a capacidade de julgar chegar a mil, ainda assim teremos um saldo devedor de 400 processos, disse. A estrutura e a capacidade de julgamento não crescem na proporção da demanda.
De acordo com o juiz - que é também diretor do Fórum local -, a situação poderia ser amenizada com a implantação de mais uma vara cível, já prevista pela legislação. Hoje, sobra processo e falta juiz, disse.
Apesar de ter um diagnóstico semelhantes, o juiz da 10ªVara Cível de Londrina, Álvaro Rodrigues Junior, traz um receituário diferente. Existem meios mais econômicos de melhorar isso, como colocar mais assessores para os juízes com volume exacerbado. Além disso, é preciso mudança na regra de distribuição de processos, que hoje é anacrônica, afirmou.
Em Londrina, segundo dados do CNJ, o número de processos por vara (cíveis, criminais e juizados) varia de 500 a 15 mil. Se houvesse uma distribuição melhor dos processos talvez se economizasse dinheiro.
Rodrigues - que é diretor do Fórum de Londrina - também acredita que a informatização pode acelerar o andamento dos processos. Nesse caso, a OAB poderia ajudar, já que os advogados não aceitam intimação pela internet; tem que ser via oficial de justiça.


