Discussão sobre secretariado racha o PT
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quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba A executiva estadual do PT passou quase cinco horas discutindo como seria sua participação do governo Roberto Requião (PMDB), mas não houve consenso. O partido está dividido. Enquanto uma ala defende rapidez na escolha de nomes e funções, outra corrente está reticente e com dúvidas em relação à composição do staff de Requião. A reunião aconteceu na noite de anteontem, no Hotel Del Rey, em Curitiba, com a participação de cerca de 40 filiados.
A preocupação do grupo indeciso está em acabar ocupando áreas mais delicadas e sofrer desgaste por isso. Os petistas tomam como exemplo o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, que teve atritos com o partido de sua vice, a petista Benedita da Silva.
''Foi uma reunião longa e contraditória. Parte do PT ficou com um pé atrás. Não há total disposição em participar do governo, até porque ainda não houve convite oficial por parte do Requião'', disse o deputado federal e candidato derrotado ao governo, Padre Roque Zimmermann. O presidente estadual do PT e deputado estadual eleito, André Vargas, sustenta que a ala majoritária do partido quer participar do Executivo. ''Temos a responsabilidade de ajudar o governador. Mas claro que quem vai balizar nossa participação é o Requião'', afirmou Vargas.
Os petistas preferem não revelar quais são as pastas que preferem. A Cultura e uma possível Secretaria da Emergência Social, a ser criada, poderiam ficar nas mãos dos petistas.
Enquanto os partidos aliados discutem a participação no governo, o PMDB continua a busca por nomes internos. O secretário de Turismo e Meio Ambiente de Ponta Grossa, Jorge Demiate (PMDB), teria sido sondado por interlocutores de Requião para ocupar a pasta do Turismo. Demiate negou, em entrevista à Folha, que tenha sido procurado. ''É especulação'', desconversou. O PMDB pode desmembrar a atual pasta da Indústria, Comércio e Turismo, separando esta última área em uma secretaria específica.
A palavra final, porém, só será dada por Requião quando ele retornar de suas viagens, em duas semanas. Por enquanto, as únicas confirmações são o vice Orlando Pessuti (PMDB) na Agricultura, Heron Arzua na Fazenda e Maurício Requião como titular da Educação. A Casa Civil deve ficar com o deputado Caíto Quintana (PMDB), antigo ocupante do cargo, mas seu nome não foi confirmado oficialmente.


