Discussão sobre pedágio acaba no Conselho de Ética
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quarta-feira, 04 de julho de 2012
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A discussão em torno do pedágio voltou a tomar conta da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná na tarde de ontem. Dessa vez, a motivação foi a acusação feita pelo deputado estadual Cleiton Kielse (PMDB) de que parlamentares teriam sido ''comprados pelo pedágio'' e que isso travava toda tentativa de se investigar o assunto dentro da Casa. Esse posicionamento fez com que vários parlamentares ficassem incomodados e pedissem ao presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), que tomasse providências.
Durante a sessão plenária, Rossoni acionou o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na Casa, Pastor Edson Praczyk (PRB), para que apure o caso. ''Peço que o deputado Kielse nos traga provas de quem são esses deputados para que possamos puni-los. Se não vierem as provas, tomaremos outras medidas'', afirmou. Entre os deputados que se pronunciaram sobre o assunto, o líder governista na AL, Ademar Traiano (PSDB), afirmou que ''não se pode fazer acusações levianas, e não é a primeira vez que isso ocorre''.
Nos últimos anos, Kielse tenta, sem sucesso, instalar uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para destrinchar os contratos firmados com as concessionárias e as obras que deixaram de ser feitas durante o período de concessão. Depois de uma audiência pública sobre o pedágio, ontem pela manhã, Kielse fez declarações a uma rádio da capital dizendo que há ''deputados comprados pelo pedágio, que venderam sua alma ao diabo, que estão esperando algum acréscimo de benefício na sua vida pessoal''. Kielse também disse que pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que verifique o ''patrocínio oficial'' que possa ter sido feito pelas concessionárias à campanha de deputados, por meio do nome de sócios dessas empresas.
Kielse comparou que órgãos como o Tribunal de Contas do Estado e o Tribunal de Contas da União, por exemplo, já se posicionaram e tomaram medidas em relação aos contratos considerados abusivos do pedágio, enquanto a AL não consegue aprofundar a discussão sobre o tema. ''Alguns vão virar meus inimigos aqui dentro, mas não tem problema'', disse o peemedebista, que critica a falta de investimentos e os lucros das concessionárias, que considera abusivos.


