Adversários e aliados do Planalto dizem que o governo não vai ter como fugir da antecipação do debate sobre o índice de reajuste do salário mínimo. Segundo eles, a discussão sobre o aumento do mínimo deve mesmo ocorrer durante a tramitação da proposta orçamentária da União de 2001. O orçamento tem de ser votado até o fim do ano e é neste momento que se prevê os recursos para bancar o aumento do mínimo. ‘‘A discussão já está antecipada e não há como fugir dela’’, afirmou ontem o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
Na mesma linha do que dissera o ministro da Saúde, José Serra, na reunião ministerial de quarta-feira, Madeira reconhece que um debate com tanta antecedência sobre o valor do mínimo é desgastante para o governo federal. Ele pondera, porém, que o índice de 5,57% de reajuste previsto no Orçamento para o ano que vem é apenas um ‘‘indicativo’’. ‘‘O reajuste vai depender da arrecadação e do comportamento da inflação’’.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), já avisou que só aceita conversa sobre o valor do mínimo a partir de R$ 177, equivalentes a US$ 100 quando o salário atual de R$ 151 foi definido. ACM criticou o reajuste de 5,57% o que eleva o mínimo para R$ 160, classificando de ‘‘incompetente’’ a equipe econômica que divulga um índice tão baixo justo no período pré- eleitoral, quando o presidente FHC estava recuperando sua popularidade.
Parceiro de ACM nesta luta, o deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP) já avisou ao ministro Serra que está preparando uma marcha a Brasília pelo aumento do mínimo a partir de janeiro. ‘‘O governo tem que fazer algum gesto neste sentido porque tem um compromisso comigo de antecipar a vigência do novo mínimo de abril para o início do ano’’, disse Medeiros a Serra na semana passada. O empenho de Medeiros em garantir um reajuste mais generoso é tamanho que ele sugere que o Congresso ‘‘tenha uma atitude de grandeza’’ e abra mão das emendas paroquiais.
O governo está convencido de que a pressão dos parlamentares vai mesmo começar dentro de duas semanas. ‘‘Encerradas as eleições municipais, começa a campanha de 2002 e o tema principal, agora, será o salário mínimo’’, diz o deputado petista José Genoíno (SP). (Colaboraram Eugênia Lopes e Liliana Lavoratti).

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