Discussão sobre livro é política, diz ex-reitora
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sábado, 29 de julho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Lumina Puppato, atribuiu a questões político-eleitorais, mas sem citar nomes, as discussões em torno do relatório ''UEL - Tempo de Luz/2002-2006''. Publicado em junho passado em formato de livro, o relatório - totalmente terceirizado - custou cerca de R$ 11 mil aos cofres da instituição e entrou na mira da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. O Ministério Público (MP) investiga eventual ato de improbidade administrativa que possa ser atribuída aos responsáveis pela publicação.
Desde terça-feira passada (25) a Folha tentava contato com a ex-reitora, secretária estadual desde abril passado. Na última sexta-feira, a assessoria encaminhou uma ''nota de esclarecimento'' na qual Lygia se colocava à disposição para outros esclarecimentos que pudessem ser solicitados, ''inclusive pelo Ministério Público''. Depois de assessores e a direção da Seti negarem contato direto com a secretária, a despeito da informação contida na nota, ela própria retornou para contestar qualquer responsabilidade que lhe pudesse ser imputada no caso.
O inquérito instaurado em 21 de junho pelo MP apura suspeita de publicidade para fins pessoais com uso de recursos públicos, prática vedada pela Constituição Federal. Na nota, Lygia elenca uma série de investimentos e práticas administrativas tomadas ao longo de sua gestão, mas destaca que as decisões sobre investimentos eram ''tomadas por mais de 50 dirigentes da UEL''. Adiante, apontou a inexistência de propaganda da reitoria, com vistas à promoção pessoal, com o argumento de que, dentre 54 fotos do livro-relatório, aparece em apenas quatro delas, ''em nenhuma individualmente''. Para finalizar, a nota sustenta que o momento político talvez explique o que chama de difamações contra ela. ''Discussões como essa, em clima de palanque eleitoral, podem privilegiar o alcance de objetivos pessoais, mas, com certeza, só tendem a prejudicar a UEL''.
Irritada com a aparição de nome e fotos nas últimas reportagens sobre o assunto, a ex-reitora disse por telefone que o ''relatório de gestão'' seguiu todos os procedimentos legais necessários. ''É obrigação de todo admninistrador fazer, uma vez que se trata de prestação de contas'', alegou. Por outro lado, em mais de uma ocasião Lygia apontou que o livro foi publicado após a posse dela à frente da Secretaria.
''Por que a minha figura, quando não fui a ordenadora da despesa? Não sabia do relatório, nem que seria terceirizado, não estava mais à frente da administração. Não sabia de nada'', argumentou, mesmo o livro destacando na capa a gestão 2002/2006. ''A pessoa que contratou o serviço foi o (ex) coordenador (de Comunicação, Isaac Antonio Camargo), eu não respondia mais pela reitoria. Os coordenadores de despesa é que respondem'', eximiu-se.
Camargo explicou que a decisão de publicar o livro-relatório da forma como o executado foi tomada em grupo, mas fora do âmbito da reitoria. ''Isso saiu em uma reunião, mas não me parece que tenha havido promoção pessoal'', defendeu. Conforme o professor, tudo foi realizado nos últimos 20 dias de gestão, já após a posse de Lygia como secretária.


