Da Redação
O que era para ser uma homenagem póstuma ao professor José Gasparini, falecido em dezembro, acabou se transformando em baixaria ontem na Câmara de Vereadores de Londrina. O projeto que denomina ‘‘José Gasparini’’ a escola municipal do conjunto Farid Libos estava em segunda votação quando começou uma discussão entre um dos autores, o presidente da Câmara, Adalberto Pereira da Silva (PFL), e o vereador Renato Araújo (PPB). Como não conseguiu aprovar um substitutivo ao projeto e alegou ter a palavra ‘‘cassada’’ pela presidência, Araújo deixou o plenário irritado. Ele rasgou a cópia com o parecer favorável à tramitação do projeto pela comissão de Justiça.
Tudo começou quando Araújo alertou o presidente da Câmara sobre a irregularidade do projeto, apresentado ano passado por Pereira, em co-autoria com o então vereador Alex Canziani (PTB) e Antenor Ribeiro (PPB), mas que semana passada recebeu apoio de outros oito vereadores. Semana passada o projeto foi aprovado em primeira discussão, incluindo a co-autoria com outros oito vereadores, alguns deles novos.
Araújo argumenta que os novos vereadores não poderiam ser co-autores porque eles foram eleitos para a 12ª legislatura, iniciada este ano, enquanto o projeto foi apresentado em 96. ‘‘Precisava de um substitutivo para constar a inclusão dos novos’’, defendeu. Pereira disse que o substitutivo não era necessário. ‘‘Além disso, eu, como co-autor, abri espaço para os novos’’. Renato Araújo voltou a falar, mas o presidente disse que o tempo dele tinha terminado. Sob protesto, o vereador argumentou não ter encerrado o discurso. A sessão foi suspensa por cinco minutos. Reiniciada, o presidente registrou a inclusão dos outros vereadores como co-autores e o projeto foi aprovado por 20 votos a 1, o de Renato Araújo.
Ele justificou seu voto contrário alegando ‘‘irregularidade e atestado de incompetência’’. ‘‘Não é contra o mérito e sim contra abertura de precedentes que esculhambam essa Casa’’, disse, em seu discurso. Araújo saiu irado do plenário, fez um xingamento e só voltou depois do término da sessão. Ele reafirmou as críticas e disse que o ‘‘negócio do presidente era presidir quartel e não Câmara’’, referindo-se ao fato de Pereira ser major da Polícia Militar.
Araújo também reclamou de ter tido a palavra ‘‘cassada’’ e disse que Pereira deveria usar mais o ‘‘bom senso’’. Questionado sobre o seu desrespeito ao ‘‘bom senso’’ já que saiu da Câmara xingando, ele argumentou que já estava fora do plenário e falou como ‘‘cidadão comum’’. O vereador acusou Pereira de estar desrespeitando o regimento interno. ‘‘Ele não admite os erros’’.
Adalberto Pereira nega. ‘‘No caso de dúvida, tenho a humildade de chamar a assessoria para consultar o que é certo e se erramos, corrigimos como já fizemos aqui’’. A assessoria jurídica da Câmara confirmou que não havia necessidade da apresentação de substitutivo e disse que não há impedimento regimental para co-autoria, desde que o autor do projeto permita, como foi o caso.

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