DISCUSSÃO - Proteção da web favorece a radicalização
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sábado, 02 de abril de 2016
Edson Ferreira<br> Loriane Comeli Reportagem Local 
O internauta conta com o distanciamento físico daqueles que pensam diferente para expor as suas opiniões, mesmo quando são ofensivas. São vários exemplos no cenário político atual. Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, foi ameaçado em comentários feitos por redes sociais, depois de retirar do juiz federal Sergio Moro as investigações envolvendo o ex-presidente Lula. Nesse caso, a Polícia Federal (PF) investiga os possíveis autores, a partir da denúncia feita pelo ministro.
Na última sexta-feira, o Ministério da Justiça determinou que a PF investigue eventual ameaça de morte ao ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Edinho Silva, feita nas redes sociais. Depois de publicar um comentário no Facebook, um usuário disse que o ministro iria morrer e que haveria "gente na cola" dele. Para o psicoterapeuta Sylvio do Amaral Schreiner, o acirramento do debate é maior nas redes sociais porque "as pessoas se sentem um pouco mais protegidas, porque o embate não é cara a cara". "Ali, as pessoas extravasam mais os sentimentos e, embora o discurso tenha uma roupa de política, na verdade, as pessoas estão utilizando isso muito mais para se atacar, para trocar ofensas, querem definir quem está certo, quem está errado, quem é melhor, quem é pior", analisa.
O sociólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Augusto Prando avalia que "a cultura política do brasileiro é autoritária". Segundo ele, "as pessoas tendem a imaginar que democracia é votar e pronto, mas isso é apenas uma parte do processo". Ele e o professor de ciência política da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR) e pesquisador do Observatório de Elites Políticas e Sociais do Brasil (UFPR), Luiz Domingos Costa, citaram o filósofo e escritor italiano, Umberto Eco, morto no mês de fevereiro, para quem a "internet deu voz a uma legião de imbecis".
De acordo com Costa, "Eco queria dizer que a internet não criou as bobagens que estão por aí, mas deu grande amplitude a tudo isso". "Enquanto faculdades e o jornalismo, por exemplo, estão tentando fazer esse debate político, tem muita gente mandando memes por aí", falou o professor, revelando que preferiu sair de um grupo mantido em rede social em razão do volume de "informações sem fundamento".
Prando cita como prejudiciais ao debate político a criação de dois grupos antagônicos. "Temos visto muitas expressões maniqueistas, como ricos e pobres, capitalistas e socialistas, direita e esquerda, que acabam simplificando a argumentação."


