Discursos inflamados marcam debates
Brasília - O primeiro dia de discussão ontem na Câmara dos Deputados do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff teve pela manhã os momentos mais acirrados de embates, seguidos rapidamente por um esvaziamento do plenário.
Às 16h30, quando o painel registrava 460 deputados presentes na Casa, apenas cerca de 30 estavam no plenário. Ou seja, embora a ampla maioria dos 513 deputados tivesse comparecido à sessão, quase nenhum ficou para acompanhar os discursos. Parlamentares da oposição levaram cartazes de "Tchau querida" e "Impeachment já" e estenderam por alguns segundos uma faixa com os dizeres "Acabou a boquinha".
Fitas verde-amarela usadas como cachecol eram distribuídas por Paulo Pereira da Silva (Solidariedade-SP) e por integrantes do DEM. Caio Nárcio (PSDB-MG) ouviu discursos enrolado em uma Bandeira Nacional, também exibida pelos principais nomes da bancada do PSDB para uma fotografia durante a sessão.
Do outro lado do plenário, parlamentares de siglas favoráveis à permanência de Dilma, como PT e PSOL, exibiram cartazes de "Não vai ter golpe" e "Impeachment sem crime é golpe". Dois parlamentares do PSOL no Rio, Chico Alencar e Glauber Vraga, levantaram cartazes contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP).
A sessão foi aberta pontualmente às 8h55, com a exposição da acusação. O advogado Miguel Reale Jr., um dos autores do processo de impeachment e ex-ministro da Justiça do governo FHC, defendeu seus argumentos para a saída de Dilma. Estavam presentes 148 deputados. Seguiu-se o tempo da defesa, feita pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que atacou a oposição e o presidente da Câmara, acusando-o de dar início ao processo de impeachment da presidente como uma "chantagem". Quando Cardozo falou em "golpe", os oposicionistas reagiram com gritos de "Fora PT" por alguns segundos.
Seguindo o trâmite da sessão, após a fala de Cardozo cada um dos partidos com representação na Casa passou a usar uma hora para expor suas posições na tribuna. A partir daí, os deputados começaram a dispersar.
Na tribuna, os deputados fizeram críticas e defesas ao governo, algumas gerando piadas involuntárias, como quando Laerte Bessa (PR-DF) chamou a presidente de "Dilma Russéti". A deputada Carmen Zanotto (PPS-RS) também escorregou ao citar palavras de "baixo escalão".
A sessão será retomada às hoje, às 9 horas. Só os deputados que se inscreveram terão 3 minutos de fala, alternado contra e a favor do impeachment.
Rubens Valente, Débora Álvares, Ranier Bragon, Leandro Colon e Gabriel Mascarenhas
Folhapress





