Discursos empurram votação madrugada adentro
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quarta-feira, 11 de maio de 2016
Agência Estado 
Brasília - A expectativa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de concluir a votação da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff até as 22h de ontem foi frustrada e a sessão seguiu madrugada adentro, com votos no painel eletrônico apenas na manhã desta quinta-feira. Após xx horas de sessão, senadores haviam se manifestado no plenário favoráveis ao impeachment. Outros xx parlamentares se mostraram contrários. Ao todo, 71 parlamentares estavam inscritos para falar. Renan tentou acelerar o processo com um acordo, mas a sugestão de um requerimento para abreviar os discursos foi rejeitada. Durante a sessão, os senadores que se manifestaram favoráveis à abertura do processo contra Dilma citaram muito mais que as irregularidades que embasam o pedido de afastamento. Não só as pedaladas fiscais e a assinatura de decretos orçamentários em 2015, mas "o conjunto da obra" serviu de argumento na tribuna.
Dos senadores paranaenses, Roberto Requião (PMDB-PR) a favor da manutenção de Dilma, disse que o impeachment é uma "monumental asneira". E criticou Temer: "Meu amigo Michel Temer assume suportado por série de ideias da Ponte para o Futuro e reveladas em entrevistas por auxiliares que são as da utopia neoliberal com corte de gastos, a mesma proposta que fracassou em outros Países".
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Favorável ao impeachment, Alvaro Dias (PV) afirmou: "Esse processo de impeachment começou há alguns anos. Em 2005, em meio ao escândalo do mensalão, sugeri o impeachment do presidente Lula. Não houve apoio. Depois, os escândalos se sucederam".
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A petista Gleisi Hoffmann, contrária ao impeachment citou em seu discurso no plenário as manifestações de intolerância nas redes sociais, valores da democracia e fatos históricos em defesa da presidente Dilma Rousseff. "Impeachment não é pra fazer disputa politica, não é para questionar programa do governo, ou analisar o 'conjunto da obra', isso se faz nas eleições. Impeachment exige crime de responsabilidade e estão usando para caracterizar crime, algo que é prática regular na gestão orçamentária. É como se nós quiséssemos penalizar com pena de morte, uma infração de trânsito."
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O impeachment teve o apoio de senadores que integraram o primeiro escalão dos governos petistas desde 2003. Um deles foi Cristovam Buarque (PPS-DF), demitido por Lula em 2004. "Por incrível que pareça, voto pela admissibilidade. Não fui eu que mudei, foi a esquerda que envelheceu."
Renan e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, acertaram ontem como deve ocorrer a troca de comando da condução do processo de impeachment. Como determina a Constituição, o ministro do STF assume a presidência do Senado para fins do julgamento por crime de responsabilidade da presidente Dilma.


