Discurso de Sarney é inócuo, dizem adversários
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quarta-feira, 05 de agosto de 2009
Carol Pires<BR>Agência Estado 
Brasília - Senadores que defendem o afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado ouvidos pela Agência Estado reafirmaram sua posição após o discurso de defesa feito pelo senador na tarde de ontem. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o discurso de Sarney ''aplaca os ânimos, mas não resolve a crise''. Sarney afirmou, no pronunciamento, feito da tribuna do plenário, que não sairá da presidência e se declarou vítima de perseguição.
Na avaliação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o discurso teve por objetivo levar o Conselho de Ética, que estava reunido naquele momento, a arquivar as 11 ações que recebeu contra Sarney. ''Foi uma tática. O Sarney fala primeiro (antes da reunião do Conselho) para fazer um arquivamento a todo custo'', disse Demóstenes Torres. Ele afirmou que não mudou de ideia, com o discurso, sobre sua convicção da necessidade de afastamento de Sarney da presidência do Senado. ''A minha ideia é fixa: nós temos que abrir investigação. As representações e denúncias estão evidentemente prontas para serem investigadas - o que não significa que todas serão julgadas procedentes. Mas não da pra arquivar sem fazer investigação como o governo quer.''
Líder do DEM, o senador José Agripino Maia (RN) avaliou que Sarney não foi convincente em sua explicação. ''Para se defender, ele relembrou sua biografia e fez um voo de pássaro sobre as acusações'', disse Maia, referindo-se às passagens do discurso nas quais Sarney tentou desqualificar as denúncias apresentadas contra ele no Conselho de Ética. ''Uma frase não desmente um elenco de acusações.''
O senador Renato Casagrande (PSB-ES) também continua defendendo a investigação das denúncias pelo Conselho. ''Cabe ao Conselho de Ética aprofundar as investigações. Apesar de este conselho ser capenga, porque foi formado no meio da crise, então é um conselho maculado.''
Em contrapartida, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), disse acreditar que os argumentos de Sarney foram ''bons'' e que, a partir de agora, o Conselho de Ética deve trabalhar para dar um desfecho às ações apresentadas contra o presidente do Senado. ''Sarney colocou sua posição, colocou sua defesa, explicou alguns fatos, mas estes fatos serão agora analisados pelo Conselho de Ética, que é o foro adequado para tudo ser esclarecido'', disse Jucá. E acrescentou: ''Os argumentos são bons, ele detalhou procedimentos. É preciso que agora as representações sejam estudadas e analisadas.''


