Discurso de Quintão agrada a militares
Agência Estado
De Brasília
O novo ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, assumiu ontem o cargo no lugar do ex-ministro Élcio Álvares com um discurso de posse detalhando as metas, que coincidem ponto a ponto com as reivindicações dos militares. O discurso foi bem recebido pelas Forças Armadas. Ele classificou de justos e legítimos os reclamos dos militares e salientou até mesmo a importância de dar um soldo condizente com as altas responsabilidades das funções militares e uma previdência adequada.
Quintão, que tomou posse na tentativa de pôr fim ao tenso relacionamento com as três Forças, garantiu que vai trabalhar para um orçamento da pasta sem cortes que venham a diminuir a capacidade operacional.
Álvares foi demitido pelo presidente na semana passada, depois de dois meses de crise com as Forças Armadas, que teve como pano de fundo a revelação das denúncias, feitas pela CPI do Narcotráfico na Câmara, do envolvimento dele e da ex-assessora Solange Antunes com o crime organizado no Espírito Santo.
O ex-ministro deixou o cargo sendo elogiado por Quintão. Mais uma vez, o presidente Fernando Henrique Cardoso, depois de fritar Álvares, elogiou a atuação dele, a lealdade e a inteireza moral. O ex-ministro não compareceu à solenidade de posse no Planalto porque, de acordo com o que assegurou, não foi convidado. Durante a transmissão de cargo, fez um relato das ações dos 12 meses em que passou no cargo e avisou que exerceu a autoridade pelo diálogo e pelo entendimento. Depois de elogiar o FHC e falar da lealdade a ele, Álvares repudiou com indignação as denúncias levianas, irresponsáveis e inconsistentes que buscam atingir 35 anos de ilibada vida pública.
Seu sucessor destacou que será um interlocutor do Ministério da Defesa com o Congresso em permanente contato com os líderes e com a Comissões do Orçamento, Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele pediu compreensão do Congresso e efetiva colaboração do governo. Quintão afirmou que vai assumir uma tarefa concentrando-se exclusivamente em seus misteres, imune a influências externas, interesses e ambições, citando o cientista político norte-americano Samuel Huntington que inspirou a abertura democrática no Brasil assumida pelo ex-presidente Ernesto Geisel, ao defender um sistema de mudanças lento e gradual.
Para ele, é necessário defender as propostas orçamentárias da pasta, contendo as dotações específicas de cada Força, no sentido de lhes serem destinados recursos indispensáveis e suficientes ao cumprimento de suas obrigações institucionais. Em discurso, FHC rebateu as críticas à pasta dizendo que jamais se cogitou criar o Ministério da Defesa para reafirmar o comando civil sobre as Forças Armadas.
Na mesma linha, Quintão frisou, ao citar novamente Huntington, a necessidade de um complexo equilíbrio de poder e atitudes entre grupos civis e militares. Países que falham no desenvolvimento de um quadro equilibrado de relações entre civis e militares desperdiçam seus recursos e correm riscos incalculáveis, disse.
Segundo ele, o ministério visa a proporcionar a modernização e a capacitação de defesa do País para melhor eficiência e eficácia de seu poder dissuasório. O novo ministro declarou que será dele a missão de dar continuidade à redação final dos projetos de lei de criação da Agência Nacional de Aviação Civil e do novo Código Brasileiro do Ar. É de obrigação elegerem-se prioridades, que me competirão executar, a fim de não se frustrarem os objetivos constitucionais concernentes à defesa do Estado democrático.
Além de ter sido bem recebido pelos comandantes das Forças Armadas, o discurso agradou aos políticos presentes à cerimônia. Segundo o comandante da Marinha, almirante Sérgio Chagastelles, o discurso de Quintão foi um grande alento e tranquilizou as tropas porque falou de todas as dificuldades.
Ele falou em atender a todos os pontos sensíveis, acrescentou o comandante do Exército, general Gleuber Vieira. O comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, aplaudiu de pé o discurso do ministro da Defesa. Vou rezar toda noite para que ele possa cumprir tudo o que ele falou.Novo ministro da Defesa ganha confiança das Forças Armadas ao defender suas reivindicações como justas e legítimas
Hermínio Oliveira/Agência BrasilCASERNA EM PAZQuintão, cumprimentado por FHC e observado por Michel Temer: propostas garantem tranquilidade nas tropas





